Albari RosaAgitando bandeiraTrabalhador sem-terra empunha bandeira do MST, na janela do prédio do Ibama

Cerca de 400 sem-terra representando 140 áreas de ocupação e assentamento de 11 regiões do Paraná ocuparam na manhã de ontem a sede da superintendência regional do Ibama, em Curitiba. Eles era esperados na sede do Incra, mas acabaram driblando a PM, e foram para o Ibama.
A coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), informou que optou pelo Ibama porque queria ter acesso ao plano de manejo da Fazenda Pinhal Ralo, de Rio Bonito do Iguaçu (no Oeste), de propriedade da madeireira Giacomet-Marodin, ocupada desde abril do ano passado por 2 mil famílias, e agitada pelo assassinato de dois acampados há uma semana.
‘‘Suspeitamos de irregularidades no plano e queremos ter acesso a ele, o que sempre nos foi negado’’, disse Roberto Baggio, coordenador do MST. Na avaliação do MST, a Fazenda Pinhal Ralo, de 81 mil hectares, é um grande latifúndio improdutivo e deve passar por uma nova vistoria. ‘‘Vamos respeitar a área de reserva legal, mas queremos a desapropriação do restante da fazenda para a reforma agrária’’, declarou Baggio.
A madeireira Giacomet-Marodin vendeu 16,7 mil dos 81 mil para o Incra, o que vai viabilizar o assentamento de cerca 800 das 2 mil famílias que estão ocupando a área. Depois do assassinato dos agricultores Vanderlei das Neves e José Alves dos Santos, ocorrido na área na semana passada, o MST quer que toda a fazenda seja desapropriada para viabilizar o assentamento de todos os sem-terra. ‘‘Agora só a desapropriação total vai solucionar o conflito criado’’, insiste Baggio.
Plano cancelado No início da tarde, ainda no Ibama, foi feita uma reunião entre os líderes do MST, o Incra, o Ibama, a Secretaria de Meio Ambiente e o Ministério Público. Na reunião, o superintendente regional do Ibama, Jonel Nazareno Iurk, informou que o plano de manejo estava vencido desde dezembro.
‘‘Já estamos providenciando um novo plano, que vai mostrar se a área de floresta nativa da propriedade está sendo explorada de forma adequada, respeitando a legislação ambiental’’, explicou. De acordo com Iurk, a previsão é que o novo plano fique pronto dentro de 30 dias. A expectativa do MST é que após analisado o laudo do Ibama, o Incra reveja a classificação da fazenda, até agora considerada produtiva.
Os proprietários da Pinhal Ralo informaram ontem que não pretendem oferecer mais que os 16,7 mil ha para o assentamento. De acordo com informações da empresa, o imóvel é totalmente produtivo e há previsão de novos investimentos na propriedade. E a Giacomet pretende investir R$ 30 milhões na construção de uma fábrica de papel na região, em Quedas do Iguaçu.
Após a reunião com o superintendente do Ibama, os 400 sem-terra deixaram o prédio e seguiram para a Boca Maldita, onde realizaram ato público. Eles passariam a noite na sede da Fetaep e devem continuar hoje em Curitiba. Os sem-terra têm uma audiência com a superintendente do Incra, Maria de Oliveira, para discutir a situação de outras áreas ocupadas. Em seguida, eles devem voltar para as suas regiões.

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