Cuiabá, 20 (AE) - O Hospital Central de Cuiabá, localizado no centro político-administrativo da cidade, foi ocupado hoje pela manhã por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). O hospital é uma obra abandonada, localizado nos fundos do Palácio do Governo, próximo ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Os sem-terra alegam que, com a invasão, pretendem demonstrar o desperdício de dinheiro público e o descaso com a saúde.
A ocupação é mais uma manifestação organizada pelo movimento para marcar os três anos do massacre de Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, em que 19 trabalhadores rurais foram mortos em confronto com policiais militares. Ontem (18), o MST já havia realizado um ato em frente ao relógio da Rede Globo, erguido em comemoração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil.
Depois da ocupação do hospital, os sem-terra se dirigiram até à avenida do CPA, na entrada do Palácio do Governo
e bloquearam o trânsito de veículos por mais de 30 minutos. Às 8 horas, durante o bloqueio da avenida, o carro oficial ocupado pelo secretário de Segurança Pública, Hilário Mozer, foi cercado por mais de 300 sem-terra, que riscaram o veículo, furaram um pneu traseiro e ameaçaram tombar a perua Blazer, de propriedade do governo.
O secretário foi socorrido aós um telefonema do comando do movimento a um dos integrantes da manifestação, que providenciou a liberação de Mozer. Em entrevista coletiva à tarde ele prometeu entrar com queixa-crime contra as lideranças do MST. "Isto é baderna, e nós, que sempre tratamos o movimento de maneira decente, não podemos ser agredidos". O secretário alega que o fato mancha a imagem do movimento e não contribui com o diálogo entre governo e trabalhadores. Segundo ele, a conduta do governo não muda, mas que os atos agressivos serão coibidos.

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