Sem terra ocupam granja no Rio Grande do Sul
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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 22 (AE) - Aproximadamente 500 sem-terra ocuparam hoje a granja Três Pinheiros, no município de Lagoa Vermelha, distante 315 quilômetros de Porto Alegre, no Nordeste do Rio Grande do Sul. Segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais e Sem Terra do Estado, a invasão ocorreu durante a madrugada. Os sem-terra querem que a propriedade seja destinada à reforma agrária.
Entre outras reivindicações, pedem o cumprimento da meta do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que prometeu o assentamento de 2,5 mil famílias em 1999 no Rio Grande do Sul, a definicão dos índices de lotação pecuária para propiciar a retomada das vistorias do Incra e a liberação de créditos para assentamentos. O Incra/RS espera assentar 150 famílias até o final deste mês ou no começo de outubro.
Situada na localidade de Capão Bonito, a área possui 2,4 mil hectares e pertence a Alzira Bonotto. Foi penhorada pelo Banco do Brasil em razão de dívidas. O departamento jurídico do Banco do Brasil no Estado adiantou que o banco, como síndico da massa falida, encaminharia imediatamente pedido de reintegração de posse à Justiça. A granja, que o MST considera improdutiva, nunca foi visitada pelo Incra, mas figura na listagem de futuras vistorias.
Acampamento - Em Porto Alegre, cerca de 200 manifestantes do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) continuavam acampados diante do edifício que abriga a caixa forte do Banco Central. Desde terça-feira eles bloqueiam a entrada e saída de caminhões de transporte de valores. É uma forma de pressão sobre o governo federal para que libere mais verbas para pequenos agricultores, através do Pronafinho (uma subdivisão do Programa Nacional de Agricultura Familiar). Querem
igualmente, o financiamento de fósforo e potássio, dentro do programa Prosolo, e a implantação de uma política de recuperação da produção leiteira. Só pretendem abandonar o local depois que uma comissão do MPA for recebida pelos ministérios da Fazenda, Agricultura e da Reforma Agrária.


