Sem-terra ocupam fazenda no PA
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terça-feira, 17 de novembro de 1998
Agência Estado 
A fazenda Bacuri, em Castanhal, a 65 km de Belém, foi ocupada anteontem à tarde por 800 famílias de lavradores ligados ao Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Ao todo, cerca de 2 mil pessoas estão acampadas na fazenda, que está em processo de desapropriação pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
De acordo com o diretor do MST de Marabá, Raimundo Nonato Coelho de Souza, os agricultores são originários do sul do Estado e foram para Castanhal porque estavam vivendo debaixo de lona e em condições subumanas, às margens da rodovia Belém-Brasília. Ele disse que a fazenda foi ocupada para que o processo de desapropriação e o assentamento dos lavradores sejam acelerados pelo Incra
Está tudo parado nesse caso, enquanto os trabalhadores passam fome. A nossa paciência já se esgotou, resumiu Souza. Os sem-terra são os mesmos que invadiram a sede do Incra em Belém durante 23 dias, em setembro. A Polícia Militar de Castanhal foi deslocada para a área. Souza garantiu que os lavradores não pretendem deixar o local. Essa fazenda é nossa, o pessoal todo foi cadastrado para o assentamento a ser feito pelo Incra.
Em Belém, o órgão continuava sem superintendente até o início da tarde de ontem. O novo superintendente indicado por Brasília é Darwin Boorne. A orientação do ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, aos superintendentes é não negociar com invasores de áreas em processo de desapropriação.
Trabalhadores ligados ao MST ocuparam ontem mais duas áreas no agreste e no sertão de Pernambuco. Foram quatro invasões nos últimos dois dias e a meta do MST-PE é chegar a 30 - ocupações e reocupações - até o final desta semana. O objetivo do movimento, de acordo com a assessora de imprensa Janeide de Souza, é pressionar o Incra e o governo federal a acelerar vistorias e o processo de reforma agrária. O superintendente-adjunto do Incra-PE, Abdias Vilar, afirmou que as ações do MST não adiantarão, pois a instituição está sem dinheiro até para combustível. Centenas de famílias de trabalhadores sem-terra acamparam ontem em um terreno ao lado da superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), do Rio Grande do Sul, próximo ao centro de Porto Alegre. A área é usada como estacionamento pelos funcionários do instituto. São 700 colonos, segundo a Brigada Militar. Ou 1,2 mil, incluindo-se 150 crianças e 200 mulheres, de acordo com os organizadores do protesto. A manifestação visa pressionar o governo federal a cumprir seus planos de distribuir lotes para 1,5 mil famílias no Rio Grande do Sul até o final de 1998.


