Curitiba, 29 (AE) - Cerca de 300 sem-terra ocuparam hoje pela manhã parte da Fazenda Transval, de propriedade de Lurdes Belanda Pagano, no município de Querência do Norte, no noroeste do Paraná. Segundo a regional da União Democrática Ruralista (UDR), a fazenda, com 596,1 hectares, tem laudo de produtividade expedido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em novembro de 1997. Na quinta-feira, representantes do Incra, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e do governo do Paraná acertaram a retirada pacífica dos ocupantes de sete fazendas nos próximos dias.
O assessor especial para Assuntos Fundiários do governo estadual, José Carlos de Araújo Vieira, disse hoje que ainda estava checando as informações sobre a produtividade da fazenda. "A serem confirmadas, não tem justificativa técnica, política ou moral", afirmou. "É pura irresponsabilidade de alguns elementos". Vieira disse que provavelmente MST argumentará que o laudo é antigo. "Se quiserem laudo novo que peçam ao Incra".
Segundo a UDR, a fazenda tem soja e milho que devem ser colhidos nos próximos dias, além de uma unidade para teste e validação de soja e milho conduzida pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). O coordenador da entidade no noroeste, Tarcísio de Souza, responsabilizou o governo do Estado pela situação. "Estamos acuados pela ação do MST e pela omissão do governo", afirmou. A UDR afirmou que a linha telefônica da fazenda tinha sido cortada pelos sem-terra, mas à tarde ela estava funcionando.
Um dos funcionários da fazenda disse que havia cerca de 300 sem-terra. "Eles não mexeram em nada e estão tratando a gente com carinho", afirmou. De acordo com o funcionário, que pediu para não ser identificado, os sem-terra mantinham-se em um terreno vazio. "É um pessoal muito bem educado". Segundo ele, a polícia esteve na entrada da fazenda, mas não entrou. Na sede do MST em Querência do Norte, ninguém soube dar informações sobre a ocupação.

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