Campo Grande, 05 (AE) - Trabalhadores sem-terra ocuparam duas fazendas durante a madrugada de hoje no Mato grosso do Sul. A primeira ocupação aconteceu por volta das 4 horas na Fazenda Nossa Senhora de Fátima. Aproximadamente 130 famílias cortaram os arames da cerca lateral da propriedade para ingressar na área. O grupo entrou e montou barracas de lona plástica no centro do imóvel. A fazenda tem 2,3 mil hectares e fica no município de Jardim, a leste do MS e a 265 quilômetros de Campo Grande.
O plano dos sem-terra é fazer do local um ponto de apoio logístico, juntando pelo menos 800 famílias para ocupar a Fazenda Aurora, com 32 mil hectares, vizinha da Nossa Senhora de Fátima. Pouco depois de 5 horas da madrugada, 170 famílias de sem-terra invadiram a Fazenda Transmontora em Dourados, no sul do MS e a 200 quilômetros da capital. Segundo os líderes esta semana será de invasões de fazendas no MS. Além da Aurora, eles querem ocupar as fazendas São Cândido, São Joaquim e São Pedro, todas no município de Jardim.
Também está na mira dos sem-terra a Fazenda Santa Vitória, em Bela Vista, na divisa com o Paraguai. Os líderes explicaram que os imóveis estão improdutivos e até abandonados. Querem que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) vistorie as fazendas para transformá-las em assentamentos. As invasões e ameaças de novas ocupações acontecem em meio a estiagem que já ultrapassa 60 dias consecutivos no MS. Em todos os 74 assentamentos do Incra existem sérias dificuldades.
São quase 11 mil famílias vivendo nos assentamentos que estão sem água e pastos. No assentamento Mutum, com 340 famílias
Ribas do Rio Pardo, a 92 quilômetros de Campo Grande, o fogo matou 35 vacas, durante vários incêndios ocorridos na semana passada. A pior situação é verificada no assentamento Canaã, situado em Bodoquena. São 230 lotes com o mesmo número de famílias, que estão deixando o lugar devido a falta de água. Toda a água consumida vinha dos mananciais existentes na gleba. São pequenos córregos de várias nascentes, atualmente completamente secas.
Até sábado passado 150 famílias já haviam saindo do lugar, fugindo da seca. A maioria foi para a área urbana da cidade de Bodoquena. Em Santa Rita do Pardo, na divisa com o noroeste de São Paulo, o fogo consumiu a pastagem em 45 glebas do assentamento que tem o mesmo nome do município. Pelo menos mil cabeças de gado não tem mais um palmo de pasto. Os assentados querem que o governo do Estado os ajudem na transferencia dos animais para novas pastagens.

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