Sem-terra ocupam duas fazendas no Mato Grosso
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segunda-feira, 17 de março de 1997
Agência Estado 
CUIABÁ - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) realizou duas ocupações na madrugada de ontem no Estado do Mato Grosso. Em duas operações simultâneas, ocorridas às 2 horas, os lavradores se instalaram na fazenda Facão, de 6.200 hectares, em Cáceres, e na fazenda Jupia, de 4.000 hectares, em São José do Povo.
A fazenda Facão, localizada nas margens da BR-174, foi ocupada por mil famílias que montaram mais de 200 barracas na propriedade. O proprietário da fazenda ainda não foi identificado. Os trabalhadores, de várias cidades, formam os oito bairros da nova Cidade dos Sem-terra. Na Fazenda Jupia, entre Rondonópolis e Piratininga, os sem-terra ergueram barracas para abrigar 1.500 famílias.
BELÉM - O MST denunciou ontem em Marabá que cerca de 2 mil famílias ocupantes das fazendas Macaxeira, em Curionopólis, e Pastoriza, em São João do Araguaia, estão comendo feijão e arroz estragados, fornecidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Diretor do MST, Onacílio Barros disse que inúmeras famílias que insistiram em comer os 33 mil quilos da cesta básica fornecida pelo Incra foram acometidas de diarréia, cólicas e problemas estomacais. Os doentes estão sendo medicados em postos de saúde da região e num hospital de Marabá. Onalício informou que o MST já fez protesto formal ao superintendente do Incra em Marabá.
O superintendente em exercício do Incra em Marabá, Gilson Mendes, disse que o órgão ainda não tomou conhecimento oficial da denúncia. O MST ainda não nos informou sobre este assunto, resumiu.


