Sem-terra ocupam áreas em São Paulo
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domingo, 30 de agosto de 1998
Wagner de Oliveira 
PartidaSem-terra saíram do acampamento Che Guevara, para invadir no PontalForam ocupadas ontem fazendas em Itapeva (200 famílias), Taubaté (200 famílias), Iaras (200 famílias), Promissão (400 famílias), Presidente Alves (120 famílias), Colina (250 famílias) e Mirante do Paranapanema (350 famílias). Gilmar Mauro, integrante da liderança nacional do MST, disse que as ocupações têm o objetivo de pressionar o governo a retomar o processo de reforma agrária no Estado de São Paulo que está, segundo ele, paralisado.
O dirigente disse que as invasões podem prosseguir hoje. Segundo ele, há 50 áreas no Estado em processo de desapropriação, onde poderiam ser assentadas 5.000 famílias. Outras 16 áreas aguardam emissão de posse. Ele afirmou que o MST concedeu uma trégua de três meses ao governo federal e não obteve resultados. Segundo Gilmar Mauro, o movimento tem o mês de setembro e começo de outubro para fazer pressão.
RessacaEste é o momento certo. Depois de passadas as eleições, o governo entra em ritmo de ressaca e só volta a funcionar em março do ano que vem, esquecendo dos nossos problemas, afirmou.
Gilmar Mauro estava ontem em Mirante do Paranapanema, região do Pontal, onde 350 famílias ocuparam na madrugada a Fazenda Santa Clara, que está em processo de desapropriação no Incra.
Os sem-terra derrubaram cerca, puseram fogo no pasto e começaram a arar a terra com tratores. As famílias que ocuparam a fazenda estavam no acampamento Che Guevara, ao lado da Santa Clara. Fernando Negrão, filho do proprietário da fazenda, registrou boletim de ocorrência no Distrito Policial de Mirante e afirmou que entra terça com pedido de reintegração de posse na Justiça.
Ele disse que não vai reagir contra a invasão da fazenda, de 872 hectares. Não vou dar chances para o José Rainha e sua turma aparecer. Agora, quero saber quem vai pagar o prejuízo, afirmou. Negrão disse que o Incra está demorando para fazer a desapropriação. Nós já concordamos. Eu quero o dinheiro. Assim que o Incra pagar, a gente sai da fazenda, garantiu.
Diolinda, mulher do líder do MST no Pontal do Paranapanema, José Rainha Jr., disse que foi a demora do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em desapropriar a Santa Clara que causou a invasão ontem. A presidente da União Democrática Ruralista(UDR), Tânia Tenório de Farias, disse que integrantes da entidade se reúnem hoje, em Presidente Prudente (SP), para discutir uma forma de protesto contra a retomada das invasões pelo MST.
Essas invasões são pura agitação, coisa de quem não tem o que fazer e quer chamar a atenção. Vamos estudar uma forma de protesto contra isso.
Não podemos nos calar, afirmou. Farias afirmou que proprietários de fazendas no Pontal do Paranapanema reforçaram a segurança particular das propriedades com as ameaças de novas invasões pelo MST.


