Sem-terra ocupam agência do BNB em AL em protesto contra atraso na liberação de recursos
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domingo, 04 de abril de 1999
Por Ricardo Rodrigues, especial para a AE 
Maceió, 05 (AE) - Cerca de 500 famílias de trabalhadores rurais sem-terra ocuparam, hoje pela manhã, a agência do Banco do Nordeste, no centro de Maceió, em protesto contra o atraso na liberação de recursos do Programa de Crédito Especial da Reforma Agrária (Procera). O protesto durou menos de três horas. Soldados da Polícia Militar de Alagoas compareceram ao local, porém, não foi resgistrado nenhum confronto.
No início da tarde, os sem-terra saíram da agência, mas se mantiveram do lado de fora do banco aguardando o cumprimento das reivindicações. Eles exigem da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Alagoas, a entrega dos projetos para liberação de R$ 1,2 milhão. Os recursos serão usados no custeio de seis áreas ocupadas por 900 famílias. Cada família terá direito a R$ 1.300,00.
Segundo Reginaldo Pacheco, da direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST/AL), a desocupação foi condicionada à liberação desse crédito, após uma negociação entre o gerente do banco, Gilson Mendes, e o superintendente do Incra em Alagoas, Ricardo Vitório. "Se houver demora na liberação desses recursos, que já foram reduzidos pela metade, ocuparemos de novo o Banco do Nordeste", garantiu Pacheco.
Fazenda - Pela manhã, 350 famílias sem-terra ocuparam a Fazenda Bolo, de 600 hectares, em Murici, a 98 quilômetros de Maceió. A ocupação tem como objetivo pressionar o Incra a resolver uma pendência jurídica da Fazenda Pacas, que fica no mesmo município e já foi desapropriada, mas o proprietário recorreu à Justiça, reclamando os valores das benfeitorias. Segundo o MST/AL, a Fazenda Bolo estava abandonada e não houve conflito.


