Sorocaba, SP, 10 (AE) - Cerca de 150 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam hoje a agência regional do Banco do Brasil em Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo, em protesto contra o novo projeto de reforma agrária do governo federal. Os sem-terra são dos assentamentos de Iperó, Itapetininga e Porto Feliz. Os manifestantes chegaram por volta das 10h30 e não tiveram dificuldade para afastar os vigias e ocupar o prédio.
Cerca de 20 policiais militares chegaram logo depois, mas foram impedidos de entrar na agência pelos sem-terra. "Polícia fica do lado de fora", disse o líder Rubenilton Silva Matos. O gerente Reginaldo Nicolosi negociou com os líderes da manifestação para que o atendimento ao público fosse mantido.
Os sem-terra chegaram com sacos de alimentos, colchões, roupas, faixas e bandeiras. As faixas, com frases contra o presidente Fernando Henrique Cardoso e o projeto Mundo Novo Rural, do governo federal, foram estendidas fora e dentro da agência. "Viemos preparados para ficar aqui até que o governo retome o Procera", afirmou Matos, referindo-se ao Programa de Crédito Especial da Reforma Agrária, que está suspenso.
No começo da tarde os sem-terra já haviam tomado conta das instalações sanitárias da agência e da copa. "Aqui é nossa casa, pois foi tudo pago com dinheiro público", diziam os militantes. No encerramento do expediente público, às 16 horas, o gerente chamou o comandante do 40º. Batalhão da Polícia Militar, coronel Mauro Romano, para negociar a desocupação da agência durante a noite. Ele alegou razões de segurança, mas os sem-terra não concordaram. Muitos deles já haviam estendido colchões pela agência, enquanto as negociações prosseguiam.

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