Sem-terra ocupam a sede da 7 mil
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segunda-feira, 24 de agosto de 1998
Maurício Borges e Agência Estado 
Armados com foices, facões, carabinas e até escopetas, cerca de mil sem-terra tomaram no sábado o retiro central e depois a sede principal das fazendas Corumbataí e Canadá, mais conhecidas por 7 mil, no Município de Jardim Alegre (110 km ao sul de Apucarana). A primeira invasão da fazenda, de 5.700 alqueires, aconteceu em abril de 97, e ao final do ano mais sem-terras entraram na área, totalizando cerca de 600 famílias. Na invasão da área central da fazenda, chegaram mais 550 famílias.
Segundo o capitão José Carlos Xavier, da 2ª Companhia (Ivaiporã) do 10º Batalhão da Polícia Militar, os invasores chegaram escoltados por cerca de 40 sem-terras, que seguiam à frente, muito bem armados. Depois de renderem 10 seguranças da fazenda, mantendo-os como reféns, o grupo seguiu em frente, até tomar a sede e o escritório da fazenda, informou ontem o oficial. Quando a PM foi comunicada já não havia tempo para reunir um efetivo maior e evitar a invasão segundo o oficial.
O gerente da 7 mil, Márcio Reis, confirmou que os sem-terras estavam muito bem armados, e chegaram a agir com violência. Eles agiram com selvageria, tomaram as casas da sede, tirando geladeiras, fogões, roupas de cama e alimentos, contou Reis, que é genro do proprietário das fazendas Corumbataí e Canadá, o empresário paulista Flávio Pinho de Almeida.
Ele lembrou ontem que, desde que surgiram os comentários de que a 7 mil era um dos alvos do MST, os proprietários ingressaram na justiça com um interdito proibitório. O termo foi acatado pela justiça, comunicado ao governador Jaime Lerner e todas autoridades constituídas, mas mesmo assim a invasão consumou-se, disse Márcio Reis.
De acordo com ele, até o ato de desapropriação parcial da Fazenda Corumbataí, assinado pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso, foi derrubado no Supremo Tribunal Federal, devido a falhas processuais.
O coordenador do MST no Paraná, Roberto Baggio, nega a invasão e os saques. As pessoas já estavam na fazenda e somente ampliaram a área de plantio em cerca de 2 mil metros, disse Baggio. Segundo o coordenador, as famílias estão cultivando arroz, feijão, milho e mandioca. Os funcionários da fazenda continuam trabalhando normalmente, diz Baggio. Roberto Baggio afirma que os agricultores não vão deixar o local. Segundo o corrdenador do MST, a fazenda ainda é classificada como improdutiva pelo Incra.


