Arquivo FolhaCobrançaA Contag vai pressionar o presidente Fernando Henrique para que realize a uma ‘‘reforma agrária de fato’’ e não apenas desaproprie terras sem dar a posse e infra-estrutura necessárias aos assentamentosITAQUIRAÍ - Cerca de dois mil invasores da Fazenda Santo Antônio, no município de Itaquiraí (interior do MS), não aceitaram desocupar a terra na base da conversa, como pretendia o Secretário da Segurança Pública do Mato Grosso do Sul, Joaquim D’Assumpção Felipe de Souza. Ele saiu do acampamento ontem dizendo ter ficado mal impressionado com o comportamento das lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que não lhe reservaram sequer dez minutos para falar ao público e explicar as implicações legais da resistência ao despejo.
Com isso, está sem cumprir desde segunda-feira a determinação do juiz da comarca de Naviraí, Danilo Burim, de reintegrar a posse da terra com a retirada das famílias. Às 13 horas de ontem, encerrou-se o prazo de 24 horas que o magistrado concedeu para que as autoridades cumprissem as ordens judiciais, sob pena dele mesmo incriminar os responsáveis pelo descumprimento da determinação.
O Secretário Joaquim Felipe e uma comissão de deputados da Assembléia Legislativa de Campo Grande fizeram uma visita no gabinete de Danilo Burim na tarde de ontem, propondo uma trégua para negociações que devem incluir a partir de agora o governador do estado, Wilson Barbosa Martins (PMDB). Os deputados acenaram com a possibilidade de se oferecer uma outra área para assentamento dos invasores.
Régis Tortorella, advogado do Grupo Bertim que é dono da fazenda, disse que ‘‘o dinheiro público paga as despesas de deputados, secretários e outras autoridades que saem de Campo Grande para o interior, a fim de negociar com quem desrespeita a lei e permanece ocupando terra alheia por meio da violência de esbúlio da posse’’. Para Tortorella, tudo que interessa é o cumprimento da lei, que está sendo protelada a pretexto de uma ‘‘negociação’’. Na sua opinião, fazer acordo com a manutenção das condições de invasão é um atentado à ordem.
Em Campo Grande, o assessor da superintendência do Incra, Ribas da Costa, confirmou que o instituto não possui programa autônomo de cadastramento dos sem-terra. O plano de assentamento de 2.500 famílias no ano de 97, segundo ele, foi elaborado com base em listas de acampados que integram o MST.
Protesto - Mais de 500 trabalhadores rurais deverão participar do ‘‘Grito da Terra’’ que a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) promoverá na quarta-feira, com a entrega de uma pauta de reivindicações ao presidente Fernando Henrique Cardoso. O vice-presidente da Contag, Avelino Ganzer, disse que os trabalhadores pedirão que o governo faça uma reforma agrária de fato e não apenas desaproprie terras sem dar a posse e a infra-estrutura necessárias aos assentamentos.

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