Sem-terra não acreditam em despejo
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segunda-feira, 05 de maio de 2003
Sid Sauer<br> Equipe da Folha 
Campo Mourão - Os trabalhadores rurais sem-terra que ocuparam há uma semana a fazenda Baronesa dos Candiais, em Luiziana (35 km ao sul de Campo Mourão), não acreditam que o governo do Estado vá autorizar o despejo das cerca de 200 famílias.
''A reintegração de posse é normal, mas não acreditamos que o governador vá despejar as famílias'', disse Paulo Sérgio Souza, da direção estadual do MST. A reintegração foi dada pela Justiça de Campo Mourão no mesmo dia da invasão. ''Não estamos aqui para provocar o governo. Estamos pela vontade de ter a terra e de fazer a refoma agrária'', argumentou Souza.
O líder sem-terra disse que vem sendo perseguido desde que a fazenda foi ocupada, no dia 28 de abril. Segundo ele, cinco homens em uma camioneta cinza rondam a sua casa e mostram armas. ''Na quinta-feira, um deles, encapuzado, desceu com uma espingarda calibre 12 e ficou embaixo de uma árvore próxima a minha casa'', contou.
Souza disse que retirou a família do local, num assentamento em Luiziana, mas que foi informado por outros assentados que o grupo voltou no dia seguinte. Ele atribui a ação ao Primeiro Comando Rural (PCR), movimento que teria sido criado recentemente por fazendeiros para defender as propriedades da ação dos sem-terra. Ele disse que vai registrar queixa na polícia.
O arrendatário da fazenda, Valdomiro Bognar, informou ontem que nunca ouviu falar da presença do PCR na região. ''Isso deve ser mentira. Estamos apenas aguardando a ordem do governo do Estado para que a reintegração de posse seja cumprida'', disse. Ele reclamou que pode perder uma área de 60 alqueires cultivada com aveia.


