Sem-terra mudam de tática no Pontal
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sábado, 23 de agosto de 1997
Das agências Teodoro Sampaio 
Mário CesarDiplomataAs ações do MST no Pontal no Paranapanema, extremo-oeste do Estado de São Paulo, na última semana, revelaram um José Rainha Júnior mais disposto a apagar incêndios que derrubar cercas. A estratégia, adotada logo após a condenação a 26 anos e seis meses de prisão, alivia a imagem de radical de quem sempre comandou invasões de terrasAcampamentos quase vazios, barracos semi-destruídos e a transformação da periferia das cidades em nova fonte para alimentar suas ações são a nova estratégia do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Pontal do Paranapanema para mobilizar as massas. Nos oito acampamentos que foram preservados, não mais do que mil famílias ainda resistem nos barracos de lona preta, o principal símbolo da luta pela reforma agrária.
Os militantes do MST, estimados em 14,6 mil famílias, estão espalhados, segundo a liderança, pela periferia de 23 municípios do Pontal. É só convocar que o pessoal se mobiliza, garante o integrante da coordenação nacional do movimento, Zelito Luz da Silva. Ele estima uma capacidade de arregimentação imediata de pelo menos seis mil pessoas. O suficiente para promover grandes ocupações, disse.
O líder nacional do MST, Gilmar Mauro, admitiu o esvaziamento dos acampamentos do Pontal e confirma a mudança tática adotada pelo MST. O acampamento, que em determinada circunstância é um instrumento de pressão, acaba virando um desgaste quando precisa ser mantido por muito tempo, disse. A alimentação das famílias passa a ter um custo econômico muito alto, segundo ele. Além disso, os acampados ficam muito expostos, aumentando o risco de conflitos principalmente quando sabemos que a União Democrática Ruralista (UDR) continua mostrando seu armamento.
Mauro acredita que o governo se aproveita dessa situação para retardar a concretização dos assentamentos. Quando há demora, o sem-terra só fica acampado se não tiver outra alternativa, contou.
A menos de um mês de ser julgado por duplo homicídio, o dirigente José Rainha Júnior, 36, se transformou em uma espécie de diplomata do MST junto ao governo federal. A estratégia, adotada logo após a condenação a 26 anos e seis meses de prisão, alivia a imagem de radical de quem sempre comandou invasões de terras.
Com isso, Rainha parece apostar em maiores chances de absolvição no novo julgamento a que será submetido em Pedro Canário (ES) no próximo mês. As ações do MST no Pontal no Paranapanema, extremo-oeste do Estado de São Paulo, na última semana, revelaram um Rainha mais disposto a apagar incêndios que derrubar cercas. Na tentativa de fechar uma agência do Banco do Brasil em Teodoro Sampaio (710 quilômetros a oeste de São Paulo), coube ao dirigente o papel de procurar o ministro Raul Jungmann (Política Fundiária) para liberar um empréstimo e evitar a invasão do banco.
Diante da ameaça do MST de atear fogo em outra agência do Banespa no município de Rosana, o comportamento não foi diferente. Rainha esvaziou a ação ao se comprometer com os sem-terra que iria negociar com o banco. Ao criticar a burocracia que emperra liberação de financiamentos para compra de equipamentos e plantio, ele voltou a bateria para o terceiro escalão do governo, mas isentou os principais personagens da política fundiária.
O presidente da República e o ministro têm sinalizado com avanços políticos. A gente deu uma trégua como crédito. Agora a palavra está com o presidente.


