Sem-terra morre em confronto com seguranças
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terça-feira, 02 de setembro de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Um integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foi morto e outros dois ficaram feridos, na manhã de ontem, em um confronto com seguranças da Fazenda Coqueiro, de propriedade da Trombini Florestal, em Foz do Jordão (115 quilômetros ao sul de Guarapuava). Um segurança também ficou ferido. Ao todo, sete empregados da fazenda e um sem-terra foram detidos e estão presos na Delegacia de Guarapuava.
As famílias ligadas ao MST estão acampadas desde o final do ano passado às margens da PR-373, próximo da Fazenda Coqueiro. Segundo informações obtidas pelo 16º Batalhão da Polícia Militar (PM) de Guarapuava, o conflito teria começado por volta das 7h30 da manhã quando os sem-terra tentaram entrar na fazenda para fazer uma roçada e foram barrados pelos seguranças. A PM não soube informar quem começou o tiroteio.
O sem-terra morto é Paulo Sérgio Brasil, 36 anos, que segundo a coordenação regional do MST, era um dos coordenadores do acampamento. Dos sem-terra ficaram feridos: Pedro Brasil, 52 anos, que está internado em Candói (76 quilômetros a oeste de Guarapuava) e não corre risco de morte, e Anaro Lino Vial, 50 anos. Ele foi baleado na cabeça e está internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital em Guarapuava. O segurança ferido é Nelson Cristiano Gonçalves Correia, 30 anos, que também não corre risco de morrer.
O tenente do 16º Batalhão, Flávio Vicente Ferraz, informou que os envolvidos no confronto que estão hospitalizados também serão presos assim que tiverem alta. Também foram apreendidos sete revólveres calibre 38.
A versão da Trombini, em nota oficial, é a de que cerca de 80 sem-terra, que estariam armados com ''rifles, pistolas e facas'', teriam chegado à propriedade atirando contra os seguranças. Um dos funcionários da fazenda teria sido baleado no peito e se salvou porque usava colete à prova de balas. A empresa alega que os empregados agiram em legítima defesa, revidando os tiros.
A coordenação estadual do MST encaminhou nota, afirmando que os cerca de 100 trabalhadores ''foram surpreendidos por 20 fazendeiros fortemente armados e com coletes à prova de balas'', quando se dirigiam à fazenda da Trombini para terminar o roçado e começar o plantio na propriedade.
O presidente da Comissão de Mediação de Conflitos Agrários, Padre Roque Zimmermann, disse que vai acompanhar as investigações para saber o que houve e quem são os responsáveis, pois a intenção é ''dar continuidade à política de reforma agrária de forma pacífica, ordeira e dentro da lei''. Segundo ele, esta é a quarta morte de sem-terra este ano. Dois deles morreram em acertos de contas dentro dos próprios acampamentos. O terceiro, conhecido como ''Zebu'', de um acampamento em Mariluz (35 quilômetros a sudeste de Umuarama), faria parte de uma suposta lista de sem-terra marcados para morrer.


