Sem-terra morre e PM é ferido em conflito agrário
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de agosto de 1999
Por Edmilson Ferreira 
Rio Branco, 27 (AE) - O agricultor Mauri Freire Sampaio, de 43 anos, morreu quinta-feira com dois tiros de revólver durante conflito entre 11 policiais militares e um grupo de 40 sem-terra que estavam acampados no Seringal Pirapora, na fronteira do Acre com o Amazonas, a 80 quilômetros de Rio Branco. Os PMs, da 5ª Companhia Independente da Polícia Militar do Amazonas faziam a desocupação da área autorizada pela Justiça dos dois Estados. Houve tiroteio. O soldado Salomão Aguiar Farias, de 26 anos, levou um tiro de espingarda cartucheira no estômago e foi socorrido por jornalistas que chegavam para cobrir a operação.
Um posseiro identificado como Alonso, pai de três filhos
está desaparecido desde antes do tiroteio, mas o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Branco, Francisco Pereira da Silva, acredita que ele esteja morto. A família de Alonso é uma das que deixaram hoje o Pirapora e foram se abrigar na sede do sindicato. No final da tarde, novos agricultores chegaram para buscar ajuda de Pereira. "Eles estão revoltados. Tenho medo de ações de vingança pela morte de Mauri", disse o sindicalista.
Um grupo de 20 PMs acreanos chegaram em seguida e prenderam Marcos e Francisco Freire, parentes do sem-terra morto. A PM suspeita que eles tenham iniciado o tiroteio, acertando o soldado Farias. Poucas horas depois, o proprietário do seringal, Gelson Gonçalves, foi ao local e disse que "isso ia acabar acontecendo mesmo", porque, segundo ele, os posseiros sabiam que a terra tinha dono. A polícia permanece na área, acampada em barracas de lona.
O superintendente do Incra, Waldir Dorini, enviou um grupo de técnicos para pedir que as famílias abandonem a área com a garantia de que vão receber terra em outro lugar. "Mas primeiro faremos uma triagem porque vários dos posseiros já estiveram em assentamentos", explicou Dorini. O prazo dado pela Justiça aos invasores termina domingo. O soldado Farias foi operado em Rio Branco e passa bem. É o terceiro conflito com morte no Pirapora nos últimos cinco anos.


