Anhembi, SP, 28 (AE) - Os 1,2 mil sem-terra que ocupam a Fazenda Boa Esperança, em Anhembi (SP), há uma semana, começaram a se preparar para resistir ao despejo. Ontem (27), terminou o prazo dado pela juíza da 1ª Vara de Conchas, Lígia Cristina Berardi Possas, para desocupação da propriedade. Hoje, os sem-terra começaram a montar bloqueios na estrada de terra que dá acesso ao acampamento e iniciaram um trabalho de arregimentação de simpatizantes na região, segundo produtores locais.
"Os sem-terra estão aliciando trabalhadores rurais empregados nos sítios e fazendas para juntar-se ao grupo", acusou o produtor rural Altair Lombardi, dono de uma fazenda no município. Três empregados de Lombardi teriam sido abordados por militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). O acampamento recebeu o reforço de um novo contingente, que chegou em dois ônibus e várias Vans.
Segundo o coordenador do MST, João Paulo Rodrigues, não está havendo aliciamento, mas a adesão voluntária de trabalhadores rurais da região ao movimento. "Eles estão cansados da exploração". Rodrigues afirmou que os sem-terra só deixam a fazenda se o governo providenciar um local para o assentamento das famílias. Segundo ele, os acampados se consideram enganados pelo governo, pois saíram da Fazenda Engenho Dágua, em Porto Feliz, com a promessa de que seria encontrada outra área para assentá-los. "Ficamos esperando três meses e, nada". Despejo - O 22º Batalhão da Polícia Militar em Botucatu prepara a retirada dos sem-terra da fazenda, mas até hoje a operação não tinha data definida, segundo o oficial de relações públicas, tenente David Fernandes Pedrozza Júnior. "Estamos prontos para fazer cumprir a ordem judicial, mas esperamos que haja bom senso e não seja preciso usar a força", disse. Terras - O MST descobriu quase 4 mil hectares de terras devolutas na região e, segundo Rodrigues, essa área deve ser destinada ao assentamento das famílias. A existência da gleba foi confirmada pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), mas é contestada por produtores da região. "Todas as propriedades, aqui, têm escrituras com mais de 50 anos", disse Lombardi.
No final de semana, dezenas de sitiantes e fazendeiros reuniram-se em Anhembi para discutir a chegada do MST na região. "Estamos sobressaltados, pois é uma situação nova e inesperada". Segundo Lombardi, a cidade não tem estrutura para abrigar o novo contingente. Grupos de sem-terra têm andado pelas ruas da cidade armados de facões, assustando os moradores, disse. "A cidade tem só três policiais", comentou.

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