France PresseNa bolsaBatalhão de Choque da PM protege o prédio da Bovespa O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reuniu ontem mais de 34 mil pessoas, segundo os organizadores, em 20 estados do País e no Distrito Federal para lembrar os dois anos do massacre de Eldorado de Carajás (sul do Pará). A Polícia Militar calculou o número de manifestantes - 18 mil - em nove locais. Os protestos foram pacíficos, à exceção de São Paulo, onde policiais entraram em choque com manifestantes no centro da cidade.
Cerca de 3.000 manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e da Central de Movimentos Populares (CMP) entraram em confronto com policiais do Batalhão de Choque da PM em frente à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), no centro da capital paulista.
Segundo a PM, o estopim do conflito foi o avanço de um grupo de punks contra a linha de policiais que protegiam o prédio de eventuais conflitos durante protesto. O conflito se generalizou e a PM usou cães, cassetetes, bombas de gás e de efeito moral. Os manifestantes responderam com paus e pedras. Havia 160 PMs no local, metade deles do Choque. Segundo o coronel PM Marcos Alcântara, três policiais, um deles com suspeita de fratura do punho e os demais com escoriações leves, e três manifestantes saíram feridos do confronto na Bovespa.
Em Porto Alegre (RS), a polícia isolou a praça em frente ao Palácio Piratini, sede do governo do Estado. Em Recife, o Exército foi chamado para dar proteção à Sudene. João Pedro Stédile, um dos líderes nacionais do MST, disse em Porto Alegre que a intenção do MST é ‘‘barrar a violência do governo contra os sem-terra’’.
A Secretaria da Segurança do Pará evitou acionar a Polícia Militar ontem e mandou policiais civis à rodovia PA-150 para acompanhar as manifestações dos sem-terra de Eldorado de Carajás. A medida foi tomada para impedir provocações e um novo confronto entre PMs e militantes do MST. ‘‘Conosco não tem provocações’’, disse o delegado Waldir Freire, enviado de Belém. Trinta policiais participaram da operação. A estrada não foi bloqueada e não houve confrontos. Segundo a polícia, cerca de 500 pessoas participaram da missa. O MST calculou 600 o número de manifestantes.
Cerca de 600 pessoas, segundo cálculos da PM, participaram ontem no Rio de manifestações pela reforma agrária e contra a demora da Justiça em punir os responsáveis pelo massacre em Eldorado de Carajás. Carregando caixões simbolizando os sem-terra mortos em 17 de abril de 96, os manifestantes fizeram passeata pelos principais pontos do centro. Em frente à Bolsa de Valores queimaram uma bandeira dos Estados Unidos.

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