Sem-terra mantém ocupação das sedes do Incra e de secretaria no MT
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terça-feira, 02 de março de 1999
Por José Carlos Dias, especial para a AE 
Cuiabá, 02 (AE) - Os cerca de 1,5 mil sem-terra que invadiram ontem (01) as sedes da Secretaria de Fazenda do Estado e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Mato Grosso, estão dispostos a permanecer no local tempo suficiente para reativar os acordos feitos e, segundo eles, não cumpridos pelo instituto e governo ao longo do ano de 1998. Eles montaram cozinhas industriais e distribuíram colchões em barracas e nas partes cobertas dos dois edifícios. Oitocentos deles estão na Secretaria da Fazenda e aproximadamente 700 na sede do Incra.
As principais reivindicações dos sem-terra são eletrificação rural, irrigação e perfuração de poços artesianos em 22 assentamentos em quatro regiões do Estado, que abrigam três mil famílias. Eles cobram ainda do governo estadual a liberação de R$ 516 mil, destinados à formação de professores na área de Pedagogia. Em relação ao Incra, são exigidas as vistorias de seis fazendas, totalizando 50 mil hectares, onde pretendem assentar duas mil famílias que estão acampadas em Cuiabá, Rondonópolis e São José dos Quatro Marcos.
Na tarde de hoje, o presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso, Aparecido Alves, esteve na Secretaria de Fazenda, tentando a desocupação pacífica do prédio. Os sem-terra recusaram qualquer diálogo sem a interferência direta do governador Dante de Oliveira (PSDB). Alguns policiais permanecem na sede da secretaria. Os sem-terra afirmam que há policiais infiltrados, fazendo levantamento do local, inclusive com listas de camponeses que ali permanecem.
Até o começo da noite o governador não havia respondido ao pedido de audiência feito pelos líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). "Vamos aguardar e só sairemos após conversar com o governador. Estamos cansados de acordos e mais acordos sem que o governo cumpra nada", disse Vanderli Scarabeli, líder do movimento. Ele afirma que além de lutar contra a influência de partidos políticos, eles também estão tendo problemas nos assentamentos com algumas seitas religiosas que tentam desviar camponeses dos rumos tomados pelo MST. Em alguns locais, camponeses deixaram o movimento e, em seguida, venderam os lotes. Na reunião que os sem-terra terão com o Incra na noite de hoje, eles vão exigir a devolução dos lotes que foram vendidos. A reunião com o governador poderá ser realizada na manhã desta quarta-feira.


