Sem-terra liberam passagem em pedágio
Dimitri do Valle
A praça de pedágio da BR-376 na colônia Witmarsum, em Ponta Grossa, foi liberada ao tráfego por cerca de duas horas na tarde de ontem por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Os agricultores realizaram um ato de protesto no local. Eles abriram as dez cancelas do posto da concessionária Rodonorte e cerca de 3 mil veículos passaram pela praça sem precisar pagar tarifa entre meio-dia e 14 horas.
A assessoria de imprensa da concessionária Rodonorte informou que durante o ato de protesto os sensores eletrônicos que possibilitam o funcionamento automático das cancelados foram danificados. Os sem-terra passarão ainda por mais uma praça de pedágio, a da serra de São Luiz do Purunã. A assessoria comunicou que a empresa espera que integrantes do movimento não danifiquem mais equipamentos, já que todos terão passagem livre para prosseguir com a marcha.
O único incidente no protesto de ontem aconteceu quando um motorista resolveu pagar o pedágio para demonstrar sua discordância com a ação dos manifestantes. Houve discussão com os sem-terra que cercaram o veículo. Patrulheiros rodoviários estaduais que prestavam apoio à marcha dos sem-terra até Curitiba retiraram o motorista antes que a confusão se agravasse. Cerca de 450 sem-terra chegam à capital na próxima terça-feira para protestar contra as desocupações promovidas pelo governo estadual na região Noroeste do Paraná.
De acordo com Pedro Faustino, um dos coordenadores da marcha, a manifestação de ontem serviu para chamar a atenção da opinião pública. Escoltados por duas viaturas da Polícia Rodoviária Estadual, os agricultores seguiam pelo acostamento da BR-277 em duas colunas. Faixas denunciando torturas, assassinatos e violações aos direitos humanos no governo de Jaime Lerner eram ostentadas pelos manifestantes que seguiam à frente da marcha.
O governo está falando aos quatro cantos do Estado que as desocupações foram pacíficas. Na verdade foi tudo ao contrário, afirmou Pedro Faustino. Foi o segundo ato de protesto dos sem-terra desde o início da marcha na quarta-feira, quando foi realizada uma concentração em frente ao presídio Hildebrando de Souza, em Ponta Grossa, onde seis agricultores sem-terra estão presos há um mês e seis dias.
Amanhã, os sem-terra devem chegar às imediações do município de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. Eles acamparam ontem às margens da BR-376 em barracas de lona montadas na altura do quilômetro 548, no município de Palmeira. O início da concentração na capital deve acontecer na terça-feira em frente ao Palácio Iguaçu, onde os sem-terra devem ficar acampados por tempo indeterminado até que o governo atenda as reivindicações do MST. A principal delas é a suspensão das ações de despejo que já resultaram na prisão de 42 lideranças e desocupações de 14 fazendas na região Noroeste do Estado.Trabalhadores em marcha a Curitiba abriram cancelas da praça de pedágio em Ponta Grossa; concessionária diz que houve danos
Kraw PenasPressãoA Marcha de sem-terra deve chegar a Curitiba na próxima terça-feira para protestar contra as desocupações promovidas pelo governo





