Sem-terra lembram três anos do massacre de Eldorado dos Carajás
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de abril de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 17 (AE) - Cerca de dez mil lavradores, trabalhadores sem teto e desempregados, segundo avaliação do MST
participaram hoje, em Belém, Curionópolis, Marabá e Tucuruí das manifestações pelos três anos do massacre, por tropas da Polícia Militar do Pará, de 19 pessoas em Eldorado dos Carajás, no sul do Estado.
Os protestos ocorreram sem incidentes. No percurso das passeatas realizadas nas quatro cidades quase não se observava a presença de policiais militares. O comando da Polícia Militar deu instruções para que os PMs não se expusessem às provocações dos manifestantes. Na Curva do S, em Curionópolis, onde os lavradores foram mortos, foi realizado um culto ecumêmico em memória das vítimas.
O MST inaugurou um monumento no formato do mapa do Brasil, representado por 19 pés de castanheiras. O Pará foi representado por 60 pedras pintadas de vermelho. "Isso simboliza o sangue dos 60 sobreviventes do massacre", explicou a líder do MST na região, Isabel Rodrigues. A rodovia PA-150 foi interditada durante a manifestação.
Em Belém, líderes do MST cobraram agilidade no julgamento dos policiais militares, exigindo para eles a "pena máxima". O movimento pretende ver julgados num tribunal internacional o governador Almir Gabriel, o secretário de Segurança, Paulo Sette Câmara, e o ex-comandante da PM, Fabiano Lopes. "Eles ordenaram o massacre, mas foram excluídos do banco dos réus", afirmou o diretor do MST, Raimundo Nonato Souza.


