Sem-terra invadem três fazendas no PR no fim de semana
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domingo, 23 de abril de 2000
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 24 (AE) - Grupos de sem-terra invadiram três fazendas no fim de semana no Paraná, duas na região norte e uma na região sudoeste. De acordo com a Polícia Militar, todas as ocupações foram pacíficas. Hoje o proprietário da Fazenda Tamar, em Tamarana, a cerca de 350 quilômetros de Curitiba, no norte do Estado, José Mota, conseguiu mandado de reintegração de posse, mas as cerca de 600 famílias, segundo números do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) recusaram-se a sair.
A Fazenda Marabá, em Congonhinhas, também no norte, foi ocupada por aproximadamente 500 famílias, mas hoje outras haviam chegado ao local. A área tem 970 alqueires, segundo o MST, e foi entregue ao Banco do Estado do Paraná (Banestado) como pagamento de dívidas. O banco a repassou ao governo estadual durante o processo de saneamento da instituição e hoje o responsável pelo setor não foi encontrado.
Em Mangueirinha, a 415 quilômetros de Curitiba, no sudoeste do Estado, cerca de 600 famílias, segundo o MST, ocuparam a Fazenda Mamborê, de 1.200 alqueires, que pertence a quatro sócios.
O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira, disse que já conversou com os proprietários e eles devem dar resposta sobre a possibilidade de venda. "O impeditivo é a grande cobertura florestal", disse Vieira.Ele afirmou que também iria conversar com o governo do Paraná para ver as possibilidades de a Marabá ser destinada à reforma agrária. "Há interesse desde que não haja o complicador da cobertura florestal", disse.
Vieira pretende igualmente conversar com o proprietário da fazenda de Tamarana. "Não é uma situação difícil de resolver e quero saber até onde o Incra pode ajudar." O superintendente afirmou que o Incra vem negociando terras no Estado e que a pressão exercida pelos sem-terra não irá interferir. "Não estamos a reboque de movimento, mas respondendo anseios da sociedade", disse. Segundo ele, a escolha das famílias que vão ocupar as terras desapropriadas seguirão análises técnicas.


