Cuiabá - Cerca 300 trabalhadores sem-terra ocuparam anteontem à noite a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Cuiabá, em protesto contra a falta de solução para o assentamento prometido às suas famílias em áreas improdutivas no sul e médio-norte do Estado. Todo prédio foi tomado pelos manifestantes. Ele ocuparam os corredores, salas e estão utilizando a copa do prédio para preparar as refeições. Os manifestantes dizem que não sairão do local até que as reivindicações sejam atendidas.
A invasão foi organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Assentados de Campo Verde. Ontem, pelo menos 500 trabalhadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) acamparam em frente ao prédio e podem invadi-lo a qualquer momento. Os trabalhadores rurais levaram colchões, roupas e alimentos para permanecer no local por tempo indeterminado.
Segundo as lideranças do MST, cerca de 2,5 mil famílias procedentes de 10 acampamentos situados nos municípios de Nova Olímpia, Araputanga, Rio Branco e Campo Verde aguardam assentamentos do Incra.
''Nossa intenção é negociar com o Incra'', disse Mizael Barreto, um dos líderes estaduais do MST. ''A idéia é ficar em Cuiabá por tempo indeterminado''.
O outro grupo dissidente do MST reivindica assentamento para 1.400 famílias que estão em cinco acampamentos. Os sem-terra garantem que não haverá conflitos com a invasão ao prédio do Incra, mas alertam para uma possível escalada de conflitos nas regiões onde as famílias deveriam ser assentadas.
O superintendente-substituto do Incra, Juari Catarino Arantes, disse que poderá entrar com uma ação na Justiça Federal pedindo a reintegração de posse do prédio. Ele informou que só negocia com os sem-terra após deixarem o edifício.

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