Curitiba- Um grupo de cerca de 150 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiu ontem, por volta das 9 horas, o prédio da prefeitura de General Carneiro, no sul do Paraná. Por ordem do prefeito Joarez Martins Ferreira (PPS) o atendimento na prefeitura foi interrompido. A prefeitura entrou com pedido de reintegração de posse na Justiça. Os sem-terra dizem que ficam até suas reivindicações serem atendidas.
O grupo é parte das cerca de 170 famílias que invadiram a Fazenda Zattar em 1º de maio de 2003. Agora eles querem que o prefeito revogue um decreto municipal de 2004, que desapropria uma área de cerca de 30 hectares da fazenda, onde existe um aeroporto. Lá os sem-terra pretende montar um centro comunitário.
Além disso, os manifestantes pedem a recuperação de estradas que dão acesso ao acampamento, visitas de médicos da família, transporte de cestas básicas, atendimento nos postos de saúde e material de construção para duas escolas. ''Nós vamos resistir. Ficaremos até sermos atendidos'', disse um dos líderes do movimento no local, Eron Brum.
A invasão da prefeitura aconteceu por volta das 9 horas, quando o prefeito ainda não havia chegado. Não houve nenhuma agressão. Os sem-terra montaram uma cozinha dentro do prédio, para onde foram levados também alguns colchões. O pátio foi tomado e lá foram erguidas as barracas do grupo.
O prefeito, que disse que iria passar o dia trabalhando na oficina do prédio, disse que os sem-terra não tinham qualquer motivo para invadir a prefeitura. ''Já os recebi três ou quatro vezes. Era só ter feito uma comissão e vir conversar. Além disso, 80% da pauta nós já vínhamos atendendo normalmente'', disse.
De acordo com Martins Ferreira, nunca faltou atendimento à questão de saúde, educação ou nos pedidos de máquinas para atender às necessidades de trabalho.
Um outro grupo, com aproximadamente 300 pessoas do Assentamento Nossa Senhora Aparecida, de Mariluz, (35 km a sudeste de Umuarama), acampou ontem em frente à agência do Banco do Brasil em Moreira Sales, cidade vizinha, pedindo a liberação de recursos do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf).
De acordo com a Polícia Militar, a manifestação foi pacífica, apesar de terem impedido o atendimento à população até as 11h. Os sem-terra levaram colchões e utensílios e dizem que só deixarão o local em quando o dinheiro for liberado.
Segundo o superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lisboa de Lacerda, o assentamento foi criado em 2002 e os sem-terra receberam um primeiro crédito para compra de comida ou ferramentas. Mas depois houve questionamento jurídico sobre o assentamento e somente em 2005 o Incra assumiu definitivamente a posse.
Em dezembro chegou o segundo crédito, que seria só para produção. Mas alguns compraram comida, o que não é permitido, e apresentaram notas. O dinheiro foi bloqueado. Agora eles reclamam que têm dívidas e não podem pagar. Lacerda disse que excepcionalmente deve ser dada autorização para os pagamentos, o que pode acontecer hoje.

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