Sem-terra invadem prefeitura
Dimitri do Valle
Cerca de 200 trabalhadores rurais sem-terra que estão acampados em frente ao Palácio Iguaçu ocuparam ontem à tarde, por duas horas, o hall da Prefeitura de Curitiba. Foi a segunda invasão do prédio pelos sem-terra em junho. Canções pela reforma agrária, palavras de ordem, vaias e discussão com a chefia da Guarda Municipal marcaram a manifestação.
Os sem-terra foram pedir material escolar, merenda, medicamentos, chuveiros e uma caixa dágua de mil litros ao prefeito Cássio Taniguchi. Segundo o MST, esta relação já teria sido encaminhada ao prefeito no dia 11, durante o primeiro protesto realizado no interior da prefeitura.
Ontem, o secretário municipal de Governo, Antônio Carlos Araújo, recebeu uma comissão de sem-terra para ouvir as reivindicações. Ele disse que os pedidos deveriam ser encaminhados à Defesa Civil estadual. Temos uma responsabilidade com toda a cidade. Não podemos atender tudo que pedem e já fornecemos a eles as condições mínimas necessárias. O assunto agora é com a Defesa Civil, afirmou.
Araújo reclamou que os sem-terra apresentavam uma pauta diferente a toda hora. Como não houve acordo, os sem-terra saíram da prefeitura por volta das 16 horas.
Para pressionar a administração municipal a atender os pedidos, principalmente o material escolar e a merenda, os agricultores improvisaram no hall duas salas de aula: uma para as crianças e outra para jovens e adultos. Eles pretendiam entregar ao prefeito Cássio Taniguchi desenhos e frases que falavam sobre o direito à Educação.
Um grupo de sem-terra que se concentrava numa das duas portas de entrada da Prefeitura envolveu-se em uma discussão com o comandante da Guarda Municipal e chefe da Defesa Civil de Curitiba, coronel Hélio Gomes Meirelles. Ele chegou a gritar que estava sendo impedido de deixar o prédio: Estou sendo refém deles!. Em seguida, os sem-terra que estavam protestando do lado de fora, irritados com a atitude de Meirelles, entraram no hall. Os guardas municipais que estavam na porta não puderam impedir o avanço da multidão. Depois, mesmo com a passagem completamente livre, o coronel Meirelles decidiu não sair.





