Cerca de 500 pessoas ligadas ao Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram ontem à tarde parte da fazenda Renascença, do embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima, em Uruana, Minas Gerais. As famílias entraram na propriedade por volta da 16 horas, mas até as 18h30 a Polícia Militar ainda vigiava a frente da fazenda e não sabia da ocupação.
Os sem-terra e assentados entraram na fazenda pela parte lateral, sem derrubar a cerca, a 800 metros da entrada principal, onde está a PM. Os manifestantes caminharam cerca de 500 metros e montaram dezenas de barracas de lona em uma área de mata perto do riacho conhecido como Buritizeiro.
A fazenda tem 9.600 hectares, 5.500 deles produzindo grãos, 3 mil usados na pecuária - criação de 2.500 cabeças de gado - e uma parte de mata. O embaixador emprega 120 pessoas e é responsável por 10% da arrecadação do município de Uruana.
Segundo o líder do MST, Gilmar de Oliveira, as famílias só sairão da área quando o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, atender a uma pauta de 15 itens que eles vêm negociando com o governo. ‘‘A invasão foi silenciosa, não houve reação, até porque nem a polícia estava sabendo’’, afirmou Oliveira.
Na quinta-feira passada uma comissão do MST foi recebida no Incra, em Brasília, onde apresentou uma pauta de reivindicações com 15 itens.

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