Curitiba, 01 (AE) - Nos últimos cinco dias cinco fazendas foram ocupadas por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra no norte e noroeste do Paraná. Desde o início de 99 foram 16 invasões de terra.
Duas fazendas dos herdeiros do banqueiro Amadeu Aguiar (Banco Bradesco), uma em Jaguapitã e outra em Santa Cruz do Monte Castelo, foram ocupadas no sábado. Também foram invadidas as fazendas Anta Brava e Rincão, em Ibaiti, e a fazenda Santa Terezinha em Querência do Norte, na quinta-feira passada. O MST e o Incra ainda não fizeram o levantamento do número de famílias que participaram das novas ocupações, mas estima-se que sejam mais de 300 famílias.
Reunião - Por causa da onda de ocupações e o não cumprimento de reintegrações de posse, um grupo de 15 deputados estaduais se reuniu com o governador Jaime Lerner no final da tarde de hoje. Eles pediram que o governo cumpra as ordens de despejo de 100 propriedades ocupadas pelo MST no PR.
A iniciativa dos deputados irritou integrantes da Comissão Pastoral da Terra e o do MST. Segundo o movimento, a iniciativa é um absurdo. "Eles pedem para o governo excluir famílias pobres e concentrar a riqueza, mas não indicam uma solução para o problema", disse Dirceu Boufleuer, um dos líderes do MST.
Ações - O presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), ágide Meneguette, disse que o não cumprimento de reintegrações de posse incentiva invasões. "O Incra não está tendo agilidade para arrecadar áreas para fazer reforma agrária e está caminhando a reboque do MST. O governo não pode negociar com bandido. Quando tem assalto a banco não há negociação, cumpre-se a lei", disse. A assessoria jurídica da Faep já ajuizou 19 ações na Justiça pedindo intervenção federal para cumprimento de reintegrações. Nos cálculos da Faep há 40 ordens a cumprir.
Para o superintendente do Incra no Paraná, Petrus Emile Abi-Abib, as reintegrações de posse estão sendo cumpridas, mas não com força policial e sim com negociação. Das 100 áreas citadas pelos fazendeiros, o Incra contabiliza 38 com decreto de desapropriação, 27 já desocupadas através da negociação, 10 improdutivas, mas ainda não desapropriadas, 10 sub judice, 5 em negociação para desocupação, 6 áreas desconhecidas, 2 do Estado, 2 em fase de negociação com um banco. "O diálogo tem sido o caminho menos traumático para a reforma agrária", disse Abib.
O governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), disse que vai esta semana a Brasília pedir maior velocidade e agilidade ao Incra para promover novos assentamentos. Há 11 áreas invadidas que já possuem mandado de reintegração de posse, com laudo de produtividade do Incra, e a intenção é, segundo o governador, "negociar com o Incra para fazer desocupações pacíficas. "Se houver necessidade de força policial para assegurar o cumprimento da decisão judicial, vamos solicitar que representantes da Magistratura e do Ministério Público participem", disse Lerner.

mockup