Agência Estado
De Belém
Cerca de 450 agricultores sem-terra acampados há dois anos nas fazendas Bacuri e Quintino Lira, no nordeste do Pará, invadiram ontem pela manhã a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Belém. Eles mantêm como refém o superintendente do órgão, Darwin Boerner, e avisam que só irão libertá-lo quando suas reivindicações forem atendidas.
Liderados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os agricultores exigem a entrega dos títulos das duas áreas, créditos para plantio, habitação, saúde e educação, além da desapropriação da fazenda Taba, localizada em Mosqueiro, distrito da capital, reocupada ontem, pela quinta vez, por 180 famílias. O MST afirma que Darwin passou ‘‘um ano mentindo e enrolando’’ os acampados das duas fazendas com promessas de titulação e liberação de recursos.
Impedido de deixar o prédio do Incra, Boerner telefonou para o presidente do órgão, Francisco Orlando Muniz, e para o ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, pedindo orientação sobre como agir com os sem-terra. ‘‘Tenho orientação de meus superiores para não negociar com vocês enquanto as instalações do Incra não forem desocupadas’’, informou o superintendente ao coordenador estadual do MST, Raimundo Nonato Coelho de Souza. ‘‘Nós queremos negociar com alguém de Brasília que tenha capacidade de vir a Belém para resolver o problema’’, disse Souza.
No início da noite o MST decidiu libertar o superintendente do Incra e manter ocupada a sede do órgão em Belém. ‘‘A ocupação é por tempo indeterminado e só será suspensa quando Brasília mandar um diretor a Belém para receber nossa pauta de reivindicações’’, diz o MST em nota distribuída.
Ontem pela manhã cerca de 240 homens da Polícia Militar foram mobilizados para retirar mais de duas mil famílias de agricultores, que ocupam cinco fazendas no sul do Pará. O alvo principal é a fazenda Cabaceiras, em Marabá, onde estão acampadas 1.300 famílias.

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