Sem-terra invadem fazenda que pode ser tomada por banco
Alexandre Sanches
De Primeiro de Maio
Cerca de 40 famílias aproximadamente 70 pessoas entre adultos e crianças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam no início da madrugada de ontem a Fazenda São Marcos, em Primeiro de Maio (61 km ao norte de Londrina). O imóvel está sendo tomado pelo Citibank, através da Contact Financeira de Araçatuba (SP), como garantia de financiamentos realizados em 1985, após uma briga de quase 15 anos na Justiça.
A ocupação dos sem-terra a segunda em dois anos aconteceu menos de 24 horas após o proprietário, Orlando Nascimento, ter declarado à Folha que preferia ver o imóvel nas mãos dos sem-terra do que entregá-lo para o banco.
Por volta da uma hora as famílias chegaram na fazenda de 58 alqueires e se fixaram em volta da sede. Além da propriedade de Nascimento, duas casas, onde moram sua mãe e um irmão, também foram entregues ao banco como garantia de dívida. Um sítio de 36 alqueires, de propriedade de Antônio Alves de Oliveira, 59 anos, onde moram cinco famílias, também está sendo alvo de despejo pelo Citibank, mas os sem-terra não quiseram entrar no imóvel.
Ontem, os sem-terra estavam na entrada da propriedade, impedindo o acesso de pessoas que não pertencessem ao movimento. Um dos membros da coordenação do MST, identificado como Anísio, disse que resolveram entrar no imóvel após saber, anteontem, que o banco estaria tomando a fazenda como garantia de dívida. A lei garante que áreas de bancos sejam destinadas à reforma agrária, afirmou.
Anísio garantiu que, desde que saíram pacificamente da propriedade em 1997, quando ficaram duas semanas acampados, vinham acompanhando o desenrolar do processo do Citibank. Anísio disse ainda que a família de Orlando Nascimento, uma vez que perdeu sua ferramenta de trabalho, poderá engrossar a luta do MST. Agora eles são sem-terra, afirmou.
Os advogados de Orlando Nascimento haviam marcado para ontem um acordo com os advogados da financeira para garantir pelo menos uma casa para a família. Com os sem-terra na fazenda, as negociações emperraram. Até o final da tarde de ontem os advogados tentavam fechar um acordo, evitando toda a desapropriação. Nascimento não foi encontrado na cidade para comentar a ocupação.





