Sem-terra invadem fazenda em Laranjal
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quinta-feira, 14 de agosto de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Cerca de 2 mil pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram, na madrugada de ontem, a fazenda Irmãos Gregio, em Laranjal (170 quilômetros a oeste de Guarapuava). Essa é a segunda vez que a propriedade, de aproximadamente 855 hectares, é ocupada pelos sem-terra. A outra invasão aconteceu em 1998. Os proprietários conseguiram mandado judicial de reintegração de posse, mas os sem-terra permaneceram na área durante sete meses e saíram depois de acordo com os próprios donos.
De acordo com o tenente Flávio Vicente Ferraz, do 16º Batalhão da Polícia Militar (PM), de Guarapuava, o grupo, que teria entre 450 e 500 famílias, estava acampado às margens da PR-456, entre Laranjal e Palmital (146 quilômetros a oeste de Guarapuava). A maioria das famílias é desses dois municípios, mas há pessoas vindas de Altamira do Paraná, Guaraniaçu, Laranjeiras do Sul, Mato Rico, Roncador e Nova Cantu.
Um dos donos da fazenda, Flávio Gregio, disse que, na tarde de ontem, os advogados da família entraram com pedido de reintegração de posse na Justiça em Palmital. Segundo ele, a fazenda foi vistoriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, na época em que ocorreu a primeira invasão, e a área foi considerada produtiva. Em 250 hectares da fazenda são cultivados milho, soja e aveia. Outros 440 hectares correspondem à área de pastagem, onde são criadas cerca de 2 mil cabeças de gado, e os 165 hectares restantes são de reserva legal.
A Folha não conseguiu contato com o coordenador estadual do MST, Roberto Baggio, que estava em viagem e só retorna na segunda-feira. No escritório em Palmital, uma pessoa que se identificou apenas como Dirceu disse que que a ocupação foi orientada pelo MST, mas não soube explicar qual a estratégia do movimento.
O Incra do Paraná confirmou, por meio da assessoria de imprensa, que a fazenda foi vistoriada em 1998, mas que o laudo certificando a área como produtiva já perdeu a validade, que é de apenas seis meses. Pela legislação vigente, uma vez que foi invadida, a propriedade não poderá passar por novo processo de vistoria nos próximos dois anos. As famílias que ocuparam a fazenda são cadastradas junto ao Incra do Paraná.


