Sem terra invadem fazenda e começam assentamento ignorando o Incra
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domingo, 21 de março de 1999
Por Antônio José do Carmo 
Andradina, SP, 22 (AE) - As 85 famílias do Movimento Sem-Terra que estavam acampadas numa estrada vicinal de Andradina decidiram hoje entrar pela segunda vez na Fazenda São Sebastião, a 650 quilômetros da Capital, e iniciar o assentamento que segundo as lideranças foi prometido pela superintendência do Incra, mas inviabilizado até agora "por falta de recursos".
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Andradina, Geraldo José da Silva, disse que a gleba de 1.500 hectares deverá ser toda dividida entre os "beneficiados". Para isso as cercas das pastagens da fazenda começaram a ser retiradas hoje mesmo. Algumas centenas de cabeças de gado foram presas em piquetes insuficientes para garantir a alimentação do rebanho. Até o fim da tarde não havia entrado no Fórum da comarca nenhuma ação de reintegração de posse, mas advogados ligados à família Bertim informaram que a petição nesse sentido estava sendo preparada.
"Faremos com a Fazenda São Sebastião o mesmo que fizemos na Timboré", disse Silva. Ele se refere ao fato de que na Fazenda Timboré, os sem terra entraram, promoveram o assentamento, receberam os lotes e só depois chegou o Incra. Mais de 170 famílias vivem na área há quase dez anos e até hoje o dono da propriedade, Serafim Rodrigues de Moraes, ainda não recebeu qualquer indenização.
A Fazenda São Sebastião pertence ao grupo Bertim, e o próprio superintendente do Incra em São Paulo, Luís Moraes Neto, disse que havia possibilidade de se entrar numa negociação para desapropriação amigável da área. Mas nas últimas semanas os sem-terra dizem ter sido informados que não há mais dinheiro para pagamento de terras da reforma agrária. "Não vamos ficar esperando o governo fazer caixa, nossa situação é mais crítica"
disse Lourival Plácido um dos líderes do MST na região.
Segundo Plácido, a próxima fazenda a ser invadida será a Anhamas, no município de Castilho. Deverão participar do próximo "assentamento" cerca de 80 famílias. Parte delas está vivendo irregularmente na reserva natural da Fazenda Timboré.


