Trabalhadores rurais sem-terra ocuparam na madrugada de ontem duas fazendas no Mato Grosso do Sul - a Taubinha, em Rio Brilhante, e a Auriverde, em Rochedo. Com as duas chegam as 19 as invasões em 98. Os sem-terra prometem continuar ocupando até que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) resolva a situação dos 21 acampamentos em 17 municípios do Estado, onde pelo menos 8 mil famílias esperam terra do Programa Nacional de Reforma Agrária.
Cerca de 150 famílias ocuparam a Fazenda Taubinha, com 2.800 hectares, em Rio Brilhante, a 155 quilômetros de Campo Grande. Elas estavam acampadas em uma área do Incra no município, cortaram os arames da cerca nos fundos do imóvel e montaram 150 barracas de lona. Ontem os sem-terra começaram o plantio de milho.
A outra ocupação foi na Fazenda Auriverde, com 18 mil hectares, no município de Rochedo, a 83 quilômetros de Campo Grande. Quatrocentas famílias tomaram posse da fazenda, depois de recrutadas pelos líderes nos acampamentos de Jaraguari, Terenos e Campo Grande. Eles acreditam que o local está completamente improdutivo e deve ser desapropriado pelo Incra. A invasão foi diferente de todas as demais, pois não permitiram a participação de mulheres e menores de idade, apenas homens adultos, porque a disposição é de resistir ao despejo, mesmo que precisem enfrentar a polícia.
Em Itaquiraí, extremo sul do Mato Grosso do Sul, 422 famílias instaladas no Projeto de Assentamento São Luís desde novembro de 97 cobram providências do Incra. Duzentas estiveram ontem na sede do orgão solicitando infra-estrutura, como estradas, pontes e outras para que possam produzir. Não há nem água potável na área.

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