Sem-terra invadem banco para pressionar governo a liberar verbas; clientes protestam
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quarta-feira, 22 de dezembro de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 22 (AE) - Cerca de 1.500 lavradores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) invadiram e ocupam desde hoje pela manhã a agência do Banco do Brasil em Parauapebas, no sudeste do Pará. Os trabalhadores estão impedindo a entrada dos clientes e ameaçam só deixar o local quando o governo federal liberar R$ 15 milhões para 2.857 famílias cadastradas pelo MST no Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf).
Dezenas de pessoas que compareceram ao banco para retirar dinheiro para compras de Natal e ano novo ficaram revoltadas com a decisão dos líderes do movimento de fechar os caixas e bloquear qualquer pagamento. Quem estava na fila para receber foi obrigado a sair do prédio. "Isso é oportunismo que provoca graves prejuízos a quem nada tem a ver com a manifestação deles", atacou Manoel Contente da Luz. Ele viajou 80 quilôemtros de São Geraldo até Parauapebas para receber seu 13º salário de aposentado do antigo Funrural.
A Polícia Militar está em prontidão no quartel da cidade e tem ordem do comandante-geral em Belém, coronel Faustino Neto, de só intervir se houver violência contra clientes e funcionários do banco. O gerente do BB, Nilo Aurélio, evitou comentar a ocupação da agência. Dsse apenas que estava aguardando ordens de Belém para saber como proceder. "É um tipo de pressão contra o governo".
O coordenador do MST na região, Gladson Barbosa, afirmou que a ocupação foi provocada pela "intransigência do governo federal" que não cumpre, há mais de dois meses, depois de negociações com representantes de movimentos sociais, sua palavra de liberar os recursos. "Essa foi a terceira vez que os homens do governo fizeram isso. Agora, não dá mais para aguentar", disse Barbosa.
Além da liberação do dinheiro do Pronaf, o MST reivindica a desapropriação de terras e criação de novos projetos de assentamento na região de Marabá, Parauapebas, Curionópolis, São João do Araguaia, São Geraldo, Eldorado dos Carajás e Utupiranga.


