RIBEIRÃO PRETO - Um grupo de pelo menos 120 famílias sem-terra invadiu, na madrugada de sábado, a fazenda Santa Fé, em Barretos (438 km a noroeste de São Paulo). Segundo a coordenadora do Comitê de Solidariedade aos Sem-Terra, Áurea Moretti, o grupo estava acampado em Colina, um município vizinho, desde março de 1996. Eles ocuparam a Estação Experimental de Colina, uma área que pertence ao Estado. O grupo deixou a área por determinação judicial.
Segundo ela, todas as pessoas que ocuparam a Fazenda Santa Fé estão cadastradas junto ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e ao Itesp (Instituto de Terras do Estado de São Paulo). ‘‘Eles estão esperando uma decisão da Justiça em relação ao assentamento para começar a preparar a terra para o plantio.’’
Segundo a Polícia Militar de Barretos, o grupo é formado por homens, mulheres e crianças, que entraram pacificamente na fazenda Santa Fé. O proprietário da fazenda, José Zanetti, que mora em Cordeirópolis, não foi localizado pela reportagem da Folha de S.Paulo. Segundo Áurea, o comitê vai para o acampamento hoje. ‘‘Vamos levar comida, roupas e remédios para os acampados, pois não há nenhuma infra-estrutura no local’’, disse. Segundo a polícia de Barretos, os sem-terra montaram sete barracas e ocuparam uma casa abandonada da fazenda.
Ontem, na Fazenda Santa Maria, em Euclides da Cunha, 480 trabalhadores do MST continuaram a destruição das cercas da propriedade, inciada há uma semana, quando a área foi invadida. ‘‘Foram disparados uns 50 tiros, mas não houve feridos nem foi necessária a intervenção da polícia’’, garantiu Walter Gomes, da liderança do MST no Pontal. Essa fazenda, de propriedade de Nilza Armelim Ferreira, já teve seu pedido de reintegração de posse acatado pela Justiça e, em breve, deverá ser cumprido. ‘‘Só vamos sair da área quando formos comunicados oficialmente da ação’’, disse Gomes.

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