Marta Medeiros
De Maringá
Quatro fazendas da região Noroeste do Estado foram invadidas ontem por integrantes do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A ocupação ocorreu quase que simultaneamente em propriedades dos municípios de Santo Inácio, Itaúna do Sul e Paranacity. A polícia reforçou o esquema de segurança, mas não registrou nenhum caso violento.
Em Santo Inácio (111 quilômetros ao norte de Maringá) a invasão ocorreu às 7 horas, nas Fazendas Alto Limpo e Alto Limpo 1, de Ivone de Melo Picoli. Foram cerca de 150 pessoas do MST. Segundo informações da Delegacia de Polícia Civil, a principal atividade da fazenda com 136 alqueires é gado leiteiro. No município de Itaúna do Sul (84 quilômetros a noroeste de Paranavaí), cerca de 50 integrantes ocuparam a Fazenda Maria Antonieta, de José Antonio da Silva Braga. O delegado de Itaúna do Sul, Aparecido José Tavares, contou que sete empregados da fazenda permaneciam ontem no local.
No município de Paranacity (66 quilômetros ao norte de Maringá), a invasão aconteceu por volta das 8 horas, na Fazenda Santo Antonio, de 258 alqueires, do pecuarista Osvaldo Pareja. Mais de 70 famílias estão na área. A onda de ocupações coincidiu com os manifestos realizados ontem durante o ‘‘Dia Nacional de Paralisação e Protesto’’. Já são 9 as invasões ocorridas nas últimas três semanas na região.
Milícia A União Democrática Ruralista (UDR) anunciou ontem que vai apoiar a formação de ‘‘grupos de defesa da propriedade’’ para executar reintegrações de posse. A decisão foi tomada anteontem em uma reunião de ruralistas em Paranavaí. A decisão, segundo o presidente da UDR, Marcos Prochet, foi tomada porque o governador Jaime Lerner (PFL) e o secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, são ‘‘reféns’’ do MST.
Segundo nota divulgada pela UDR, cada grupo de produtores terá autonomia para agir de acordo com a necessidade de cada região. ‘‘Qualquer conflito será de inteira responsabilidade do governador’’, diz a nota.
O assessor especial para Assuntos Fundiários do Governo do Estado, Antônio Carlos Coelho, disse ontem que as milícias defendidas pela UDR não passam de grupos paramilitares. Coelho garantiu que se a idéia for concretizada, os responsáveis serão punidos na forma da lei. (Colaborou Marcos Zanatta, de Maringá).

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