Itaúna do Sul, PR, 11 (AE) - Aproximadamente 200 sem-terra ocuparam no fim de semana duas fazendas no Noroeste do Paraná. Numa atitude que está se tornando comum na região, segundo a Polícia Militar, eles mantiveram retidos os funcionários durante algumas horas, até que se consolidasse toda a invasão. As duas fazendas têm laudo de produtividade. Os proprietários devem entrar com pedidos de reintegração de posse quarta-feira (13). Eles reclamam que os sem-terra estão matando gado para fazer churrasco.
De acordo com um informe da União Democrática Ruralista (UDR), a Fazenda Contestado, em Itaúna do Sul, a 600 quilômetros de Curitiba, tem 318 alqueires, dos quais 150 com cana-de-açúcar e o restante em pasto para 800 cabeças de gado. Ela foi invadida sábado (09), por volta das 6h30, por aproximadamente 80 sem-terra. "Num Estado sem-lei, os sem-terra fazem o que bem querem, enquanto a população assiste, atônita", diz o comunicado da União Democrática Ruralista (UDR).
Ontem (10), por volta das 5h30, foi a vez da Fazenda Santa Maria, em Terra Rica, a 560 quilômetros de Curitiba, ser ocupada por cerca de 120 sem-terra. De acordo com a UDR, os funcionários foram mantidos em cárcere privado por quatro horas. A PM confirma que os funcionários saíram somente depois de conversações com os sem-terra. A fazenda tem 354 alqueires e 1.300 cabeças de gado.
Nas duas fazendas foram abatidas algumas cabeças de gado para alimentação dos invasores. "Esta é mais uma demonstração dos abusos do Movimento dos Sem Terra, que aumentam cada vez mais por causa da certeza da impunidade", diz a nota da UDR. Hoje, ninguém que estava na sede do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Querência do Norte soube dar informações sobre as ocupações. Em entrevista à televisão, um dos líderes da ocupação da Fazenda Santa Maria, José Erli Nunes, afirmou que eles só sairiam para assentamentos definitivos.
Em Curitiba, o assessor especial de Assuntos Fundiários do governo do Estado, Antonio Carlos da Costa Coelho, condenou a atitude do MST.
"O governo do Estado não aceita esse tipo de ação", afirmou. "O MST propõe-se a conversar com o Estado, mas não se propõe a falar sobre invasão, principalmente em terras produtivas." O superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), José Carlos de Araújo Vieira, pretende ter uma reunião com os líderes do MST, quarta-feira, para que eles expliquem os motivos das invasões. "Surpreendeu-nos porque não há explicação técnica, política ou moral", disse. Segundo ele, o relacionamento com o MST tem sido "excelente" e ele acredita que pode solucionar a questão."Acredito no poder da persuasão", afirmou.

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