Sem-terra iniciam marcha pela reforma agrária no RS
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quarta-feira, 22 de setembro de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 23 (AE) - Cerca de 400 sem-terra, incluindo crianças, iniciaram hoje uma marcha pela aceleração da reforma agrária no Rio Grande do Sul. Os sem-terra saíram do acampamento de Hulha Negra, a 393 quilômetros da capital, na região da Campanha, e pretendem caminhar até Porto Alegre. "Estamos protestando contra o governo FHC que não cumpriu seu compromisso de assentar 2,5 mil famílias no Estado", disse um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra no Rio Grande do Sul (MST/RS), Adelar Portela, que participa da caminhada.
Portela não descartou a possibilidade de ocupação de terras ao longo do percurso. "O que mais tem é latifúndio improdutivo na beira do caminho", assinalou. "Ninguém gosta de ocupar terra mas, se não houver outra saída, teremos que fazer isto mesmo", afirmou. O coordenador do MST diz que até agora, setembro, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) só assentou 127 famílias no Estado. Os sem-terra reivindicam a divulgação de um trabalho feito pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a pedido do governo federal, sobre os índices de lotação pecuária do País (que definem se uma propriedade rural é ou não produtiva e, portanto, se pode ser desapropriada para fins de reforma agrária).
Além disso, querem a retomada das vistorias do Incra no Estado. "Os fazendeiros querem um índice de lotação pecuária de menos de meia cabeça de gado por hectare", reclamou Portela. Ele entende que na pequena propriedade é possível criar dois animais por hectare. Vistoria - Em Lagoa Vermelha, a 315 quilômetros de Porto Alegre, nordeste do Estado, cerca de 400 famílias de colonos continuam ocupando a granja Três Pinheiros, situada na localidade de Capão Bonito do Sul e pertencente à Alzira Bonotto Machado. Os acampados querem que a propriedade seja destinada à reforma agrária. Também reivindicam o assentamento das 2,5 mil famílias em 1999; a definicão dos índices de lotação pecuária e a liberação de créditos para assentados. Sem produzir há dois anos
a área foi penhorada pelo Banco do Brasil em razão de dívidas dos proprietários e figura na lista das futuras vistorias do Incra.


