Curitiba, 21 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Paraná inaugurou hoje a Escola Itinerante Terra e Vida, que funcionará no andar térreo de uma construção abandonada há 11 anos e que deveria ser o fórum de Curitiba. Uma demonstração de que pretende manter por tempo ilimitado o acampamento montado desde o dia 8 em frente à sede do governo paranaense. A cerimônia teve música e palavras de ordem em favor da reforma agrária e da educação pública.
De acordo com a coordenadora de educação do acampamento, Izabel Grein,serão atendidas na escola 40 crianças entre dois e seis anos, que participarão da Ciranda Infantil, outras 55 entre sete e 14 anos, que se integrarão ao currículo de 1ª a 4ª séries
e 80 jovens e adultos analfabetos ou semi-analfabetos. Alguns já estudam em seus assentamentos, outros terão o primeiro contato com os estudos no acampamento de Curitiba. "Este espaço será de educação, vida e dignidade", disse Izabel.
A Escola Itinerante nasceu no Rio Grande do Sul para acompanhar os deslocamentos dos acampados. Agora a experiência chega ao Paraná. "Defendemos uma educação que parte da realidade", disse a coordenadora. Por não ter paredes, o primeiro andar do prédio foi fechado com lonas pretas, que também serviram para delimitar as salas de aula e isolar os locais que oferecem perigo."A escola é tão importante quanto a terra, nós também queremos ocupar o latifúndio do saber, que está nas mãos de uma minoria.", afirmou Izabel Grein.
Num discurso aos acampados que se reuniram em frente ao prédio para a solenidade, a coordenadora fez um apelo: "Todos precisamos saber, não importa a idade, precisamos conhecer nossos direitos e, por isso, precisamos estudar para descobrir nossos direitos". Ela também pediu uma mobilização para exigir escolas em todos os assentamentos.
O coordenador regional do MST Roberto Baggio reafirmou hoje que o acampamento somente será desfeito quando o governo atender às reivindicações, entre elas a liberdade para 22 sem-terra presos no Estado. O movimento exige a libertação dos presos para reunir-se com o governador Jaime Lerner (PFL). O governo respondeu que a libertação dos sem-terra é problema do Tribunal de Justiça.

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