O Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), em Ivaiporã (140 km ao sul de Apucarana), está encontrando dificuldades para vacinar o gado das fazendas Corumbataí e Canadá - ocupadas por sem-terra desde abril de 1997 -, contra a febre aftosa. O prazo limite para vacinação encerra-se amanhã. Técnicos da Defesa Sanitária Animal (DSA) não conseguiram fechar um acordo entre o proprietário e o MST.
A fazenda, mais conhecida como ‘‘7 Mil’’, de 5.731 alqueires, tem em suas pastagens, segundo estimativas do proprietário, Flávio Pinho de Almeida, cerca de oito mil cabeças de gado.
Numa reunião prevista para hoje, em Ivaiporã, a Seab planejava resolver a questão entre as partes envolvidas, mas ontem líderes do acampamento anunciaram que não participariam do encontro. De acordo com informação dada pelo proprietário, os sem-terra querem que as vacinas sejam entregues a eles e até estabeleceram para hoje o prazo limite. ‘‘Se isso não for cumprido, os sem-terra ameaçam soltar o gado nas rodovias da região’’, denunciou ele.
De acordo com Pinho de Almeida, o impedimento da vacinação obrigatória contra a febre aftosa, compromete a obtenção do atestado de sorologia negativa junto à Organização Internacional de Epizootias, anunciado pelo Ministério da Agricultura para o mês de julho. Ele acrescenta que isso vedará o acesso dos pecuaristas paranaenses aos demais mercados consumidores e à exportação.
O industrial paulista, que espera desde junho de 97 que o governador do Estado cumpra o mandado de reintegração de posse, anunciou ontem que já solicitou providências urgentes ao secretário de Segurança Pública e ao Procurador-geral do Estado.
Segundo ele, a ameaça dos sem-terra também foi comunicada ao Tribunal de Justiça do Paraná, onde tramita o pedido de intervenção federal no governo do Estado, por descumprimento de ordens judiciais.
Ainda ontem, a veterinária Maria Andreola, da DSA de Ivaiporã, confirmou à Folha que a vacinação do gado da 7 Mil está sendo dificultada pela radicalização das duas partes envolvidas na questão. ‘‘A reunião que deveria ser realizada nesta quarta-feira foi mesmo cancelada, mas nós continuamos dialogando com os sem-terra’’, revelou ela.
A veterinária preferiu não entrar em detalhes sobre o desentendimento entre o proprietário e os sem-terra, mas tudo indica que o obstáculo maior é que a vacinação poderia determinar o número exato de animais existentes na fazenda. Vários inquéritos policiais instaurados nos últimos meses, nas delegacias de Ivaiporã e Jardim Alegre, apuram venda de animais para frigoríficos, e até abate para consumo e venda em casas de carnes.
A Folha não conseguiu ouvir ontem o advogado Elso Bittencourt, que representa os sem-terra do acampamento da 7 Mil.

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