Sorocaba, SP, 26 (AE) - Cerca de 600 sem-terra do acampamento Nova Canudos, de Porto Feliz (SP), que iniciaram hoje uma caminhada de cinco dias em direção a São Paulo pela Rodovia Castelo Branco, enfrentaram a falta de água para beber no período da tarde. A caminhada começou às 8 horas da manhã, mas logo após o almoço a água potável acabou. "Não tínhamos previsto um consumo tão grande", admitiu o coordenador geral do acampamento, João Paulo de Almeida.
A sede, agravada pelo calor, causou princípios de tumultos entre os sem-terra. Muitos atravessavam a estrada e entravam em terrenos vizinhos, na tentativa de coletar a água de córregos. As crianças que lotavam três ônibus eram as mais afetadas pela sede. Os organizadores da caminhada acabaram pedindo ajuda à empresa Viaoeste, que mandou um carro-pipa para atender os sem-terra.
A falta de água fez com que a marcha se atrasasse. Os organizadores pretendiam chegar ao quilômetro 74, mas tiveram que parar para o pernoite quatro quilômetros antes. Os participantes estão usando o acostamento e meia pista da rodovia para a caminhada. Policiais rodoviários, em motos e viaturas, acompanharam a comitiva para evitar atropelamentos.
Amanhã (27), eles ganham o reforço de uma viatura de inspeção de tráfego e de uma ambulância da Viaoeste, concessionária da rodovia no trecho. Segundo Almeida, a marcha será retomada às 6 horas e deve atingir o município de Araçariguama. Quarta-feira os sem-terra chegam em Jandira e na quinta, param para o pernoite na Favela San Remo, entre Osasco e São Paulo. Sexta-feira está prevista uma caminhada, com professores, até a Praça da República. Sábado, com grupos de outras regiões, os sem-terra realizam uma manifestação contra o desemprego e a favor da reforma agrária no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo.

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