RECIFE - Cerca de 300 trabalhadores sem-terra que há uma semana ocupam a sede do Incra-PE, no Recife, tomaram 25 funcionários do órgão como reféns ontem às 10h30. À tarde, uma parte dos servidores foi liberada, mas foram mantidos presos no prédio o superintendente interino, Constantino Ponzo, e cinco chefes de divisão do Incra.
A estratégia, segundo o líder regional do MST-PE, Jaime Amorim, visa pressionar o governo federal a nomear o novo superintendente do órgão, para que possam negociar uma pauta de reivindicações. ‘‘Já que eles não deram bola para a ocupação do prédio, vamos ver se reagem a isso’’, afirmou Amorim.
Ele também entrou em contato com o gabinete do presidente em exercício, Marco Maciel, e com a assessoria do líder do PFL na Câmara Federal, deputado Inocêncio Oliveira, pedindo ajuda na solução do caso.
Irritado, Constantino Ponzo, que assumiu interinamente a superintendência regional do Incra há mais de um mês, considerou a atitude do MST ‘‘irresponsável e desnecessária’’. Ele disse se sentir ‘‘traído’’, porque havia combinado com Amorin que iria ao Incra ontem de manhã, com uma equipe de funcionários, para a negociação de alguns pontos básicos que poderiam encerrar a ocupação do prédio.
‘‘Pensei que ele havia deixado um pouco de lado essa condicionante da nomeação do superintendente, que não depende de nós’’, observou Ponzo. ‘‘Viemos dispostos a trabalhar com eles e, de repente, eles fecham os portões e nos impedem de sair’’. ‘‘Isso é crime’’, desabafou.
Ponzo se negou a chamar a polícia e, até o final da tarde, mantinha a esperança de resolver o impasse através do diálogo. Segundo ele, seria apresentado a Jaime Amorim, na reunião, um plano de vistoria de 13 áreas acampadas, exatamente como queriam os sem terra. Amorim disse só ter sabido disso depois que os tomou como reféns. ‘‘Eles estavam o tempo inteiro nos enrolando’’, retrucou.

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