Os 500 sem-terra acampados em Buritis (MG) decidiram ontem deixar a cidade, localizada a 70 quilômetros da fazenda de propriedade dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso. A decisão foi tomada depois da tentativa frustrada de negociação entre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e representantes do governo em reunião realizada anteontem na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A desmobilização é temporária – até as eleições municipais marcada para o próximo domingo, segundo Augusto de Lima, um dos líderes regionais do MST. Até lá, o MST deverá tomar uma decisão sobre uma possível nova estratégia para pressionar o governo a aceitar suas reivindicações.
Eles deixaram ontem a cidade e foram para os assentamentos localizados em Minas Gerais, Goiás e no entorno do Distrito Federal para aguardar em suas casas a resposta do presidente Fernando Henrique Cardoso ao pedido de audiência encaminhado pela CNBB. Lima disse que os sem-terra aprovaram ontem a desmobilização em todo o País até as eleições municipais como forma de demonstrar que estão dando um ‘‘voto de confiança’’ para a CNBB e à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Desde a semana passada, essa é a segunda vez que o MST decidiu desmobilizar os trabalhadores sem-terra na região de Buritis. Na quarta-feira da semana passada, eles saíram da frente da fazenda e dirigiram-se para o município de Buritis, onde ficaram em um galpão da prefeitura. Na última sexta-feira, os sem-terra foram para o acampamento Barriguda, a 12 quilômetros da cidade, mas voltaram na segunda-feira seguinte, um dia antes da audiência na CNBB.

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