Sem-terra fazem marcha contra violência e impunidade no Pará
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 21 (AE) - Cerca de 2.700 trabalhadores rurais sem-terra do Pará começaram hoje duas caminhadas contra a violência da polícia e a "parcialidade da Justiça" na punição de mandantes de crimes de encomenda praticados por fazendeiros e pistoleiros. De Castanhal, no nordeste do Estado, saíram 1.200 trabalhadores rumo a Belém. Outros 1.500 lavradores acampados na fazenda Cabaceiras, em Eldorado dos Carajás, sul do Estado, vão para Marabá
O coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, Raimundo Nonato Coelho de Souza, afirma que a polícia tem forjado flagrantes de invasão de fazendas e apreensão de armas dos trabalhadores, além de prender líderes sindicais sem mandado judicial. "Enquanto a polícia intensifica suas ações violentas, afrontando a Constituição, a Justiça expede liminares para supostos proprietários de fazendas improdutivas que não cumprem sua função social", acusa Souza.
Marcados - Em nota distribuída hoje o MST, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) e a Comissão Pastoral da Terra (CPT) informam que, embora já tivessem feito, semana passada, pela Internet, uma "denúncia internacional" de 450 homicídios impunes no campo, no Pará, nos últimos 20 anos, o governo estadual "não tomou nenhuma providência, principalmente para investigar a existência de uma relação de 18 nomes de sindicalistas e líderes rurais que estariam marcados para morrer".
O secretário de Defesa Social, Paulo Sette Câmara, não foi encontrado para comentar a denúncia das entidades. A assessoria do governador Almir Gabriel (PSDB) disse que ele estava despachando na residência oficial e que não havia feito nenhuma declaração a respeito.


