Campo Mourão - Os sem-terra que há 10 dias ocuparam a fazenda Baronesa dos Candiais, em Luiziana (35 km ao sul de Campo Mourão), realizaram ontem de manhã um protesto pedindo transporte escolar às crianças do acampamento. Eles foram em passeata da sede da fazenda até a frente da prefeitura, no centro da cidade.
''Queremos apenas transporte para as crianças e garantia de vaga nas escolas, mas a burocracia está demais'', disse Francisco Nascimento Souza. Segundo ele, a prefeitura exige documentos que as famílias não têm e dificulta a matrícula. Ainda de acordo com Souza, o acampamento tem 143 crianças e adolescentes em idade escolar.
O coordenador geral da prefeitura de Luiziana, José Alberto Salvadori, informou ontem que o município já tinha conversado com os sem-terra e iniciado um levantamento para ver as necessidade do grupo. ''Precisamos saber ao certo quantos alunos são para saber qual atitude tomar, mas muitas famílias se negaram a passar os nomes dos filhos'', disse.
A prefeitura levantou apenas 29 filhos de sem-terra já matriculados na cidade, mas o movimento alega que são 97. Os acampados foram recebidos por Salvadori e ficaram de passar ainda ontem a relação oficial das crianças em idade escolar. Com a ocupação da fazenda, o grupo que já estava acampado às margens da rodovia recebeu novas famílias.
O coordenador disse que a prefeitura exige apenas os documentos da transferência escolar. ''Precisamos saber em que série matricular a criança'', explicou. De acordo com ele, é complicado fazer investimentos para atender os sem-terra porque existe uma reintegração de posse e as famílias poderão ser retiradas do município.

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