de Campo Grande e São Paulo
Cerca de 1.500 famílias de sem-terra ocuparam na madrugada de ontem a fazenda Santo Antônio, em Itaquirai (412 quilômetros de Campo Grande), segundo a coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Mato Grosso do Sul. Segundo o prefeito da cidade, Renato Tonelli (PMDB), o número de famílias no local pode passar de 2.000. ‘‘Elas chegaram em 14 ônibus, seis carretas, além de vários veículos pequenos.’’
Antônio Pinheiro, um dos membros da diretoria estadual do MST no Mato Grosso do Sul, disse que esta foi a maior invasão do movimento no Estado. ‘‘As informações que tenho são de que são 1.500 famílias que entraram no local. A fazenda Santo Antônio tem 25 mil hectares e pertence ao empresário João Bertin Filho, de Lins (SP). Bertin também é proprietário de fazendas no Estado de São Paulo.
O prefeito Renato Tonelli disse ontem que vai pedir a reintegração de posse da fazenda na Justiça, mesmo não sendo o proprietário. ‘‘Vou fazer o pedido como prefeito, já que a cidade não tem infra-estrutura para suportar um aumento grande de população como esse.’’ Itaquirai tem cerca de 13 mil habitantes.
Ainda de acordo com Tonelli, muitos dos invasores da fazenda vieram de outros Estados e até do Paraguai. O MST não confirmou a informação. As polícias Civil e Militar na cidade têm um efetivo de apenas seis homens, segundo o prefeito. Tonelli pretendia pedir reforço policial para outras cidades para impedir a chegada das famílias. No final da manhã de ontem, um ônibus com 20 mulheres e número desconhecido de crianças havia sido apreendido pela Polícia Civil em uma estrada próxima a Itaquirai.
De acordo com o MST, esse foi o único grupo que acabou se separando do movimento. Antônio Pinheiro disse que não acredita que haverá conflitos na área e que os sem-terra vão resistir negociando com a Justiça.
São Paulo - O MST decidiu sexta-feira em São André, na Grande São Paulo, onde reuniu três mil militantes por três dias, que vai retomar na próxima semana as ocupações de terras improdutivas reivindicadas para reforma agrária em São Paulo. Os delegados, representando sete regiões no MST paulista, encerraram o Encontro Estadual com uma passeata pelas ruas centrais de São Paulo, seguida de um show na Praça Charles Miller, no Pacaembu, no início da noite.
‘‘Vamos massificar a luta e as ocupações’’, afirmou Gilmar Mauro no início da caminhada, que saiu da Praça da Sé. Ele é um dos líderes nacionais responsáveis pela política de agitação e mobilização dos sem-terra. Mauro, um paranaense que ocupa hoje uma das mais destacadas posições de comando no MST, disse que os sem-terra nunca estiveram tão fortes como depois do encontro.
‘‘Queremos aproveitar este ano para massificar o movimento e fazer a reforma agrária’’, declarou Mauro. Convencidos de que a conjuntura política é favorável, os delegados do MST não marcaram data para a retomada das invasões. ‘‘As delegações voltam para suas regiões e cada grupo vai tomar as decisões a partir da próxima semana’’, explicou.
O líder disse ainda que no próximo domingo o MST, apoiado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) e por partidos de esquerda, pretende lotar 50 ônibus que serguirão para o Pontal do Paranapanema. As entidades preparam manifestações na região para protestar contra a decretação da prisão de líderes sem-terra, entre eles José Rainha Júnior, foragido até o final da tarde de ontem. Rainha deveria viajar nos próximos dias a Buxelas para receber, em nome do MST, o prêmio da Fundação Rei Balduíno, da Bélgica, concedido a entidades que se destacam como movimentos populares.

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