Sem-Terra fazem greve de fome no PA
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de setembro de 1998
Agência Estado 
Cerca de 40 lavradores, entre eles dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em Marabá, no sul do Pará, estão fazendo greve de fome por tempo indeterminado. Eles ocupam o prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), há oito dias, com cerca de cinco mil pessoas. Os sem-terra garantem que só voltarão a comer quando a direção do Incra retomar as negociações com MST, interrompidas no final de semana pelo superintendente do órgão na região, Vitor Hugo da Paixão Melo.
Cerca de 30 pessoas apresentam sintomas de malária; várias crianças acampadas estão com diarréia, conjuntivite e gripe. É melhor ficar doente aqui e chamar a atenção da imprensa do que morrer abandonado no meio do mato, resumiu o sem-terra Antonio Ferreira de Jesus. O MST acusa Melo de enrolar os sem-terra, que reivindicam a transformação em assentamentos de 280 fazendas ocupadas nos últimos dez anos, estradas em condições de tráfego, escolas, postos de saúde, serviço de telefonia rural e crédito agrícola.
Melo chamou a polícia após recusar-se a receber uma comissão de negociação formada por 50 pessoas. Ele disse que só aceitaria em seu gabinete cinco negociadores. O líder do MST, Gladson Barbosa, afirmou que Melo não tem peso político para decidir qualquer pauta dos sem-terra. Preferimos tratar diretamente com o ministro Raul Jungmann ou com o presidente do Incra, Milton Seligmann, revelou ele.
Em Belém, o impasse também continua. O superintendente regional do órgão, Hermedes Teixeira, ingressa hoje na Justiça com pedido de reintegração de posse do prédio, ocupado desde quarta-feira passada por 800 pessoas.
Três funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) tomados como reféns na quinta-feira passada por sem-terra ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e acampados na Fazenda Espinheiro, a 102 quilômetros de Natal, foram liberados sábado à tarde. A superintendente-adjunta do Incra no Rio Grande do Norte, Maria das Graças Arruda de Oliveira, negociou com os sem-terra. Os reféns foram trocados por 300 cestas básicas.
Os funcionários foram liberados um a um, à medida que o caminhão, carregado de cestas básicas, era descarregado pelos acampados. O primeiro a sair foi Manoel de Medeiros Lira, de 43 anos, motorista; em seguida foi liberado Agostinho Barbosa de Moura, de 49 anos, assistente, e a última foi a coordenadora técnica, Delma de Lima Furtado, de 43 anos.
Maria das Graças não pôde entrar na fazenda, mas acertou com os sem-terra uma reunião para amanhã, na sede do órgão, em Natal. As 113 famílias do Espinheiro querem crédito e fomento agrícola e a colocação de mais sem-terra nas frentes produtivas.


