Maceió, 17 (AE) - Cerca de 3 mil sem-terra acampados na praça Pedro II, em frente a Assembléia Legislativa de Alagoas, no centro de Maceió, participaram hoje de uma passeata até o cemitério de São José, onde realizaram o enterro simbólico do presidente Fernando Henrique Cardoso e fincaram cruzes de madeira no chão, em protesto contra o massacre de 19 trabalhadores rurais de Eldorado dos Carajás (PA).
Segundo Reginaldo Pacheco, da direção estadual do MST/AL
a manifestação só não foi maior porque cerca de mil sem-terra - que tinham participado da marcha de sexta-feira - voltaram aos acampamentos e assentamentos para buscar mantimentos, madeiras para erguer barracas, e venderem seus produtos nas feiras dos municípios onde moram. Na terça-feira, estão de volta.
O MST mantém sob sua liderança 10.300 famílias de sem-terra em Alagoas, distribuídas em 30 assentamentos e 28 áreas ocupadas. Nos assentamentos, cada família tem de 4 a 7 hectares de terra e uma renda média mensal de um salário mínimo. "Falta apoio técnico e recursos para o plantio. A seca em quase todas as áreas acabou com a plantação e o crédito praticamente não existe.", afirmou Pacheco.
Esta semana os sem-terra têm uma série de atividades em Maceió, onde ficam acampados até o dia 1º de maio para o ato público em homenagem ao dia do trabalhador. Terão uma sessão especial na Assembléia Legislativa, quando pretendem denunciar o projeto "cédula da terra". "Esse projeto será financiado pelo Banco Mundial e retira da União a obrigação de legitimar as desapropriações, obrigando o trabalhador a tomar dinheiro emprestado e comprar as terras diretamente dos fazendeiros".

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