Sem-terra fazem 20ª invasão no MS
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domingo, 21 de fevereiro de 1999
João Naves de Oliveira Agência Estado 
Os sem-terra concluíram neste final de semana a vigésima invasão de fazenda em 99 no Mato Grosso do Sul. A disposição é de invadir 53 propriedades rurais no Estado até o final desse semestre, disse o presidente da Fetagri (Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso do Sul), Geraldo Teixeira de Almeida. Se não existir invasão de fazenda, não haverá novos assentamentos, alega.
Ele explicou que o movimento faz parte das comemorações pelo 20º aniversário da Fetagri que acontece amanhã. Na sexta-feira, 90 famílias sem-terra invadiram a fazenda Barra Mansa, com 20 mil hectares, propriedade de uma família de portugueses, residente em Portugal, que dividiu as terras em quatro áreas que arrenda para terceiros há pelo menos 20 anos. No último sábado outras 150 famílias tomaram conta da fazenda Santa Irene do Quebracho, localizada no município de Anaurilândia na região Noroeste de São Paulo, com 2.479 hectares e até o final da semana já marcara outras cinco fazendas para serem invadidas.
Amanhã, dia do 20º aniversário da entidade, os sem-terra pretendem se concentrar na frente da sede do Incra, localizada na avenida Afonso Pena, centro de Campo Grande, para fazer uma manifestação visando a acelerar o cadastramento e assentamento de 6.300 famílias acampadas nas margens da estrada e áreas baldias de 21 municípios do MS. Dezenas dessas famílias são vítimas da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), pois tiveram suas áreas rurais desapropriadas para a construção da hidrelétrica Sergio Motta, antiga Porto Primavera. Na região da hidrelétrica existem pelo menos 15 fazendas improdutivas que ainda não foram vistoriadas pelo Incra, conforme garante Geraldo Teixeira.
Durante a manifestação será entregue ao órgão federal um manifesto mostrando que o Incra está muito lento no processo de reforma agrária dentro do MS, onde a miséria está atingindo cada vez mais famílias no meio rural com a acelerada mecanização das lavouras, principalmente de algodão, onde era empregado temporariamente o maior número de trabalhadores temporários.
Geraldo disse ainda que existem muitos casos duvidosos para serem esclarecidos pelo Incra. Um deles é sobre a fazenda Prudente da Serra, localizada no município de Botoquena com 3.500 hectares. Ele explicou que em 1995 a fazenda foi identificada como totalmente improdutiva, porém o processo de vistoria por parte do Incra demorou.
Em 1998, o proprietário colocou nove tratores de esteira para desmatar a área e realizar plantio de pasto e lavouras de cereais, tornando o local produtivo, operação que foi aceita como legal pelo Incra. Uma outra questão é em relação à fazenda Luana, situada em Campo Grande, com 2.200 hectares, que está sendo reivindicada pelos sem-terra como improdutiva. O Incra se nega a vistoriar o imóvel, a exemplo do que acontece na fazenda Paraíso, instalada em Dois Irmãos do Buriti, conforme explicou Geraldo Teixeira.


