Sem-terra acampados na Fazenda São João, no distrito de São Luiz, em Mariluz (35 quilômetros a sudoeste de Umuarama) estão expulsando sete famílias que trabalham e moram na propriedade. Duas famílias deixaram a fazenda ontem e se mudaram para Mariluz. Anteontem, os próprios sem-terra entraram na casa do administrador Jaime Cruz, retiraram os móveis e colocaram em duas camionetas. Terça-feira, eles ‘‘revistaram’’ todas as casas dos empregados da fazenda e os teriam ‘‘intimado’’ a deixar a propriedade. O delegado de Mariluz, Joel Vicente, instaurou inquérito para apurar o caso.
Orozino Ananias, 58 anos, trabalhava na propriedade há 30 anos. Ele não recebeu nenhuma orientação do dono da fazenda. Ananias contou que quase 200 sem-terra cercaram sua casa na terça-feira e pediram ‘‘autorização’’ para fazer a revista. Na ‘‘revista’’ às sete moradias , os sem-terra encontram uma espingarda calibre 22 e um revólver calibre 38, que entregaram na Delegacia de Polícia. O delegado indiciou os sem-terra por invasão de domicílio e vai investigar também de quem são as armas.
A Fazenda São João integra um lote de mais de dois mil alqueires pertencentes ao fazendeiro José Teixeira, de Presidente Prudente (SP). A área foi invadida pelo MST em janeiro de 98. Mais de 500 famílias estavam acampadas na Fazenda São Luiz, mas há dois meses, metade do pessoal se transferiu para a São João.
Um dos líderes do MST, Joel Dalbianchi, disse que os moradores foram convidados a se juntar a eles. Como eles não aceitaram, ganharam um prazo de 10 dias para deixar a fazenda, que terminou terça-feira. O administrador Jaime Cruz mudou-se ainda na terça para outra propriedade de Teixeira, em Goioerê.

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