Belém, 23 (AE) - Cerca de 1.500 trabalhadores sem-terra e acampados do sul do Pará fizeram hoje, nas ruas de Marabá, uma passeata em favor da libertação de 15 lavradores acusados de participar da invasão da fazenda Cabaceira, em Eldorado dos Carajás, há 12 dias . A Polícia Militar montou barreiras na cidade e deslocou 500 homens para proteger diversos prédios públicos, temendo invasões e saques.
Em frente ao Fórum, líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) criticaram as Polícias Civil e Militar, afirmando que ambas estão a serviço de fazendeiros na região para "forjar flagrantes de invasão e perseguir trabalhadores rurais". O Poder Judiciário foi acusado de "nada fazer para apurar 450 mortes de lavradores na região nos últimos 20 anos".
Parentes dos agricultores presos denunciaram que a polícia restringe visitas e constrange mulheres com revistas indiscretas na penitenciária Mariano Antunes, para onde eles foram transferidos. Um manifesto lido por dirigentes do MST, Fetagri e Comissão Pastoral da Terra acrescentou que os policiais colocaram os sem-terra "nas mesmas celas ocupadas por homicidas, estupradores e traficantes de drogas".

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